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Embates na Educação Pública em 2016: Ocupações nos espaços da UFVJM e do Colégio Prof. Ayna Torres

Parceiro: Vozes do Campo - LEC/UFVJM28/11/2017

 

 

Dando continuidade à publicação do dossiê Embates na Publicação Pública em 2016, segue abaixo mais um texto do material: Ocupações nos espaços da UFVJM e do Colégio Prof. Ayna Torres. Produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, articula as vozes de lideranças estudantis que ocuparam a reitoria da UFVJM e o colégio Polivalente em 2016, com relatos da rotina e da organização das ocupações.

 

 

 

 

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   Ocupações nos espaços da UFVJM e do Colégio Prof. Ayna Torres

Eliana Sousa, Renata Mendes, Sarah Santos, Tatiane Sousa e Thainá Fernandes.

Alunos acampados no prédio da Reitoria da UFVJM. Foto obtida pela página do Facebook “Ocupa UFVJM”

No dia 13 de outubro de 2016, o Movimento Estudantil da UFVJM ocupou o prédio da Reitoria da Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Foi um ato de protesto contra a PEC 55/2016 (de congelamento de gastos públicos por 20 anos), a MP 247/2016 (reforma do ensino médio) e o aumento da tarifa de passagem dos ônibus municipais de Diamantina. Paralelamente, secundaristas ocuparam na cidade o Colégio Ayna Torres, conhecido como Polivalente.

Em entrevista com alguns participantes das ocupações, pudemos entender um pouco mais a fundo como se deu esse movimento de luta pela manutenção de direitos conquistados ao decorrer de muitos anos. Dentre quase 80 estudantes ocupantes e professores do movimento, entrevistamos alguns que nos cederam fotos e informações relevantes de como foi cada ocupação. Os entrevistados fizeram revelações diversas, alguns inclusive que temeram a polícia, mas que em nenhum momento houve embates ou ameaças da parte dos policiais.

A ocupação na reitoria da UFVJM

O quadro de ‘Estrutura e Funcionamento’ da ocupação ao fundo. Foto cedida por participante da ocupação.

Por meio dos dados obtidos, procuramos compreender melhor e relatar aspectos do funcionamento da ocupação da reitoria. No diálogo realizado, os ocupantes explicaram um pouco sobre a organização das atividades: “em um quadro de tarefas, eram divididos os eventos culturais, tarefas diárias e trabalhos de melhorias. Sem contar que tinham os grupos de comunicação, grupos de coleta de alimentos”. A esse respeito, um estudante afirmou que: “a organização das divisões de tarefas foi dada por um quadro onde as pessoas escolhiam o que queriam fazer. Desde a alvorada (horário de acordar) até o jantar, todas as divisões de trabalho se davam por lá, por este quadro”. Ao fim da entrevista, um ocupante contou que foi imensamente gratificante esses quarenta e poucos dias em que eles ocuparam a UFVJM. Para ele, “a convivência foi o máximo, várias ideias diferentes surgiam e eu me senti em constante aprendizagem. E, é claro, lutamos contra a PEC 55 e a MP 247.’’

Ocupantes realizando tarefas na cozinha da ocupação na UFVJM. Foto cedida por participante da ocupação

Outro aspecto que chamou a atenção foi o contraste de informações a respeito da relação estabelecida entre estudantes e instituição no período de ocupação. De um lado, a reitoria da UFVJM lançou uma nota na qual deixou claro o apoio e o respeito à manifestação estudantil: ‘‘A Reitoria da UFVJM respeita, compreende e apoia a organização estudantil como um processo educativo, primando no exercício da cidadania e da democracia (…)’’. Já na fala de um dos participantes da ocupação, outra visão foi apresentada. Segundo o estudante, “cortaram nossa luz, tiraram nossa água e não mostraram em momento algum estarem do nosso lado (…)’’.

A ocupação no Polivalente

Placa da escola e alimentos doados para a ocupação. Fotos cedidas por integrantes da ocupação.

Um clima de maior hostilidade aconteceu no Colégio Ayna Torres, o Polivalente, onde estudantes do Ensino Médio e alguns professores ocuparam e fecharam a escola também contra a PEC 241/2016, a MP 746/2016 e por melhorias na escola. Após o início da ocupação e do fechamento, só conseguiram alimentos com colaboradores dezessete horas depois. Em resposta às dificuldades, os secundaristas traçaram logo uma estratégia de comunicação:

no segundo dia da ocupação, fomos até o portão com um megafone e explicamos o motivo da ocupação. Conseguimos com esse ato bastante colaboradores que ficavam à tarde para nos ajudar, porém, à noite, só ficavam de 10 a 20 pessoas [na escola].’

Alimentos doados para a ocupação. Foto cedida por integrante da ocupação.

Depois de alguns dias de fechamento, versões externas à ocupação começaram a circular, alegando que os jovens estavam usando drogas, fazendo bagunça e atrasando o calendário escolar. Essas versões foram negadas pelos secundaristas. Ainda assim, a partir da reclamação e da pressão de alguns pais, os estudantes decidiram abrir a escola na semana seguinte. Continuaram, no entanto, no auditório da escola até totalizarem trinta dias de ocupação. Segundo os estudantes, foram diversas as situações que levaram ao fim da ocupação, como, por exemplo, o afastamento de colaboradores e a escassez de alimentos. Ao fim da entrevista, uma estudante conclui: “no entanto, com todas as dificuldades, nós sobrevivemos e estamos prontos para outra luta”.

Referência:

REITORIA da UFVJM. Nota sobre ocupação UFVJM Disponível em http://www.ufvjm.edu.br/en/news/selection-processes/6424-2016-10-14-16-27-44.html. Acessado em 01/02/2016.