Olhares Cruzados – Parque Indígena do Xingu 50 anos

Parceiro: Laboratorio Terra Mae28/08/2014

O fio condutor de Olhares Cruzados são depoimentos de indígenas e não indígenas sobre a história, dilemas e desafios da consagrada terra indígena, situada no coração do Brasil.

Fundado em 1961, o Parque Indígena do Xingu se tornou uma referência no imaginário brasileiro sobre os povos indígenas do país. A construção desta referência se deve, em grande parte, à enorme exposição de mídia que os povos do Parque tiveram desde os primeiros contatos com nossa sociedade. A sua demarcação, protagonizada pelos irmãos Villas-Bôas e outras personalidades, foi considerada um acontecimento politicamente ousado para uma época em que ainda se teimava em enxergar os índios como pertencentes ao passado do Brasil.

O Parque é hoje uma forte referência da diversidade cultural e ambiental da Amazônia. Tornou-se uma ilha de sociobiodiversidade no contexto de uma região marcada por grandes desmatamentos. Os 16 povos que nele habitam recuperaram o patamar populacional anterior ao contato, superando as seqüelas das epidemias e o fantasma da extinção. Hoje, estão zelando pelo patrimônio ambiental do Parque e buscam formas de manter um diálogo intercultural mais equilibrado com nossa sociedade. No entanto, enfrentam vários desafios contemporâneos, decorrentes de um processo de ocupação regional desordenado, onde se destaca o avanço do agronegócio nas fazendas que o cercam.

O evento XINGU 50 ANOS, uma realização do Instituto Socioambiental – ISA, em parceria com a Cinemateca Brasileira e com a UNIFESP, é um convite para a reflexão e atualização sobre a situação atual deste patrimônio socioambiental brasileiro e suas perspectivas de sustentabilidade. Durante 10 dias, uma abrangente mostra de filmes coloca na tela as mais diversas formas como o Xingu foi retratado pelo nosso cinema, exibindo documentários e obras de ficção das mais variadas épocas e estilos, oferecendo um panorama da diversidade de olhares sobre a região. Há desde os registros pioneiros feitos pelos imigrantes Adrian Cowell e Jesco Von Puttkamer até as mais marcantes realizações de cineastas indígenas da região do Xingu, passando por inúmeros documentários, antigos e recentes, e ficções como o longa-metragem Kuarup, dirigido por Ruy Guerra em 1989. A programação inclui ainda Olhares cruzados – Parque Indígena do Xingu 50 anos, filme inédito, que faz sua estréia nesta mostra, e promove um balanço sobre as questões ligadas à preservação do Parque.

Ao todo, a mostra exibe 31 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, divididos em programas específicos, de acordo com as regiões e os povos do Xingu que retratam (Alto Xingu, Baixo Xingu, Ikpeng e Panará), com os temas que abordam (Desafios de sustentabilidade) ou com filmografias específicas, caso de Jesco Von Puttkamer e Adrian Cowell, cineastas que filmaram a Amazônia por mais de quatro décadas, cujos acervos estão sob a guarda do Instituto Goiano de Pré-história e Antropologia da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Além da mostra de filmes, o evento inclui ainda uma exposição fotográfica sobre o Xingu com a curadoria de Carlos Fausto e Beto Ricardo, em cartaz até o dia 31 de julho, e a realização de três mesas de debate, com a presença de lideranças indígenas, antropólogos, indigenistas e outros profissionais ligados à questão indígena e ao Parque Indígena do Xingu.

Ficha Técnica:

Realização: Instituto Socioambiental
Produção: Bangalô Filmes e Instituto Socioambiental
Direção: João Pavese

Mato Grosso/São Paulo/Rio de Janeiro, 2011, vídeo digital, cor, 35’ | Exibição em HDCam
Realizado por ocasião da comemoração de 50 anos do Parque Indígena do Xingu.
Classificação indicativa: Livre