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Seminário sobre Sistemas Agroflorestais

Parceiro: Sementeia12/11/2015

O seminário sobre Sistemas Agroflorestais (SAF), uma atividade do projeto CNPq 039, foi realizado na FEAGRI – Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, com participação de alunos, professores e pesquisadores da comunidade acadêmica, além de integrantes de coletivos de agroecologia. O evento abordou conceitos importantes relacionados aos Sistemas Agroflorestais e promoveu a discussão e construção do entendimento do grupo sobre esse tema.

Durante a apresentação, várias definições e classificações de SAF foram citadas, assim como os princípios de sucessão natural e o cultivo de várias espécies em conjunto, incluindo as espécies arbóreas, fatores essenciais para compreender a diferença entre o Sistema Agroflorestal e as técnicas de monocultura empregadas na maioria das lavouras. Enquanto a monocultura baseia-se na produção agrícola de apenas uma espécie, deixando o ecossistema local vulnerável e pouco diversificado, o Sistema Agroflorestal visa reproduzir um ecossistema natural e biodiverso, além de atender as demandas humanas de modo sustentável. Respeitando os processos e a dinâmica sucessional das plantas, o SAF consegue gerar uma produção agrícola variada sem o auxílio de adubos e venenos químicos, pois a interação entre os diversos componentes do sistema é bem vinda. Nesse tipo de cultivo, o agricultor atua apenas como facilitador dos processos, deixando a natureza seguir sua própria dinâmica.

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Participantes do seminário elaborando suas próprias concepções sobre os Sistemas Agroflorestais

Nesse contexto, o papel do componente arbóreo é de fundamental importância, pois oferece benefícios diretos e indiretos para o SAF, como por exemplo a ciclagem de nutrientes, proteção contra vento e chuvas fortes, diminuição da erosão, melhoria da qualidade do solo etc. Em Sistemas Agroflorestais silvipastoris ou agrossilvipastoris, em que há associação do componente arbóreo com criação de animais, a árvore oferece ainda maior bem estar para os animais.

É importante ressaltar que a implantação de um SAF envolve inúmeros desafios, pois o desenvolvimento do sistema passa por várias fases de transição. Assim como na natureza, o crescimento de algumas plantas é mais lento que de outras, e a produção agrícola ocorrerá em intervalos de tempo diferentes para cada produto. Sendo assim, o agricultor precisa estudar as necessidades de cada espécie para conseguir associá-las com sucesso numa plantação.

Apesar do SAF ser uma prática agrícola relativamente recente, vários pesquisadores direcionam seus estudos para o tema que ainda tem muito para ser pesquisado e aperfeiçoado. Os agricultores que optam por utilizar esse sistema em suas terras também ganham visibilidade, como no vídeo a seguir chamado “Sistemas Agroflorestais – A agricultura que cultiva florestas”, proposto durante o seminário. Nele, alguns dos benefícios e desafios da implantação de um Sistema Agroflorestal são mostrados através da perspectiva dos próprios trabalhadores que aderiram ao sistema.

O vídeo relata a experiência bem sucedida em Sistemas Agroflorestais dos trabalhadores rurais da cidade São Tomé Açu, no Pará. A iniciativa começou com imigrantes japoneses nos anos 70, quando a monocultura de pimenta-do-reino predominante na cidade foi atingida por uma doença que dizimou todas as plantações. Observando o sucesso da policultura realizada pelas populações ribeirinhas, o senhor Noboru Sakaguchi decidiu implantar o mesmo sistema em suas terras, dando início a uma técnica que posteriormente seria adotada e aperfeiçoada por todos os agricultores locais. Através da seleção e plantio de várias espécies diferentes, o Sistema Agroflorestal permitiu que os agricultores de São Tomé Açu produzissem em harmonia com a natureza da Amazônia.

Atualmente, o desenvolvimento rural sustentável dos trabalhadores contribui efetivamente para a conservação ambiental, pois além de obter colheitas diversificadas que garantem a renda de suas famílias, os agricultores auxiliam na restauração das florestas e todos os benefícios proporcionados por ela. A produção agrícola e florestal sem a devastação das matas nativas aumenta a biodiversidade local e a fertilidade do solo, além de promover o controle biológico de pragas, diminuindo assim o risco de doenças devastadoras nas plantações. Como bem disse o senhor Sakaguchi: “Observe a natureza e aprenda com ela”. Todos esses aprendizados estão sendo passados de geração para geração em São Tomé Açu, e os benefícios do Sistema Agroflorestal ganham visibilidade cada vez maior como uma nova alternativa para conservação da natureza.