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Cultivando afetos: Minidoc com Associação Mulheres Agroecológicas do Vergel

Parceiro: Sementeia01/02/2019

Cultivando Afetos: A realização de um minidocumentário sobre a

Associação de Mulheres Agroecológicas do Vergel – AMA

 

Colaborador/Autor/Roteiro/Direção: Rafael Ghiraldelli da Silva

Se Alberto Acosta e outros pensadores latino-americanos teorizam o Bem Viver (Buen Vivir) como alternativa ao afã desenvolvimentista de busca por um parâmetro de modernidade que não respeita a diversidade de saberes e práticas situadas, vemos tal reconexão de homens e mulheres com a Natureza se concretizar na forma do trabalho realizado por organizações tais como a AMA – Associação de Mulheres Agroecológicas do Vergel.

Em uma agradável conversa com Maria Ileide Teixeira Rosa (Dona Ileide) e três dos jovens que atualmente participam dos cursos de formação de cultivo e de beneficiamento de alimentos orgânicos oferecidos pela AMA, ocorrida no feriado da Proclamação da República de 2018, Lina Gabriela Bayona[1] e eu não deixamos de refletir o quanto nosso Estado democrático de direito tem recorrido na concessão de direitos quase absolutos e inquestionáveis aos latifundiários que seguem o modelo agroexportador de negócio, enquanto os direitos de tantos outros continuam sendo esquecidos/menosprezados/diminuídos.

AMA em imagens. Foto: Lina Gabriela Bayona.

Em uma conjuntura sociopolítica complicada como a atual, na qual a criminalização de movimentos sociais tais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra é uma possibilidade em vias de tornar-se certeza, percebe-se a importância de um trabalho de conscientização capaz de romper estereótipos e preconceitos.

O objetivo principal do curta-metragem “Cultivando afetos” é justamente esse. Por meio da potência de mobilização do sensível própria do meio audiovisual e de seus recursos de edição (de articulação de imagens e sons diversos), queremos que esse documentário de quase meia hora de duração apresente ao público um resumo da trajetória cativante de vida e de experiências profissionais conduzidas por D. Ileide junto ao AMA e à cooperativa Marias da Terra – formalizada pelas próprias mulheres do AMA logo após o apoio recebido (e toda a repercussão gerada) em 2013 pela participação delas no quadro “Mandando Bem”, do programa de TV “Caldeirão do Huck”.[2]

Assista o curta-metragem completo “Cultivando Afetos”, Rafael Ghiraldelli da Silva, 2018. 

 

Constituindo-se inicialmente na forma de um assentamento sem-terra, a comunidade do Vergel era composta de 250 famílias em 1997 – das quais 101 tiveram terras concedidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) no ano seguinte. Ali, passaram a cultivar a terra de maneira sustentável – e, em um primeiro momento, plantando mandioca para beneficiá-la na forma de biscoitos, chips e farinha. Outros cultivos seriam feitos em seguida, na medida que a AMA começou a participar de cada vez mais feiras e eventos em universidades.

Atualmente, através da Marias da Terra e de projetos de assistência social tais como o Centro Promocional Tia Ileide – CPTI [3], o trabalho iniciado pela AMA no que toca o cultivo de orgânicos vem obtidos formas de continuidade na formação de jovens trabalhadores do campo. Logo, fomos para Vergel (zona rural do município de Mogi-Mirim, SP) desejosos de saber mais sobre esse e outros projetos em andamento.

Fomos lá, inclusive, dispostos a realizar prioritariamente um trabalho de escuta, uma vez que o tempo que dispúnhamos para as gravações do documentário era pouco. Isso nos impedia de fazer um trabalho de Pesquisa Ação Participativa[4] aprofundado, mas que, de todo modo, exigia de nós uma forma efetivamente colaborativa de organização dos dispositivos de captação de imagens e sons no local.

De fato, quando chegamos na casa de D. Ileide, fomos logo recebidos por um café e um pão com geleia deliciosos. Aquela disposição nossa ao redor da mesa já serviu de ponto de partida para pensarmos em um dispositivo semelhante para a gravação das entrevistas com D. Ileide e os rapazes que ali estavam. Eu viria a manejar o equipamento de áudio enquanto Lina manejaria a câmera na mão, sem tripé, de modo que seu olhar pudesse divagar mais, percorrendo espaços ao redor e diferentes pontos de vista acerca dos entrevistados e das fotos trazidas por eles – colocadas sobre a mesa tal como fossem uma síntese da linha do tempo da AMA concretizada em imagens.

Percebemos aí o convite para se adotar uma estética de filmagem e de edição mobilizada mais pelo nosso sentirpensar do que por determinadas convenções do cinema documentário. Acima de tudo, queríamos evitar o típico enquadramento de “cabeças falantes”[5], e fazer a câmera (e o espectador, por consequência) se aproximar mais das pessoas entrevistadas. Esse aspecto formal é tributário de estilemas de cineastas de perspectiva decolonial – especialmente, do trabalho de Trinh T. Minh-ha[6] – mas a ideia central era a de recriar em vídeo a atmosfera receptiva na qual Lina e eu nos encontramos. Por isso que, desde a primeira rodada de perguntas, deixamos D. Ileide à vontade para falar de sua vida até a chegada em Vergel, com o mínimo possível de interrupções da nossa parte. Esse percurso histórico de rememoração nos incentivou a falar em seguida com João Pedro Canilis da Rosa, Kaylan Ramos Pinheiro da Silva e Vinicius Martins dos Santos – os rapazes que ali estavam representando uma nova geração de trabalhadores agroecológicos, e que nos relataram como conheceram o trabalho da AMA[1] e como adquiriram cada vez mais interesse pela vida no campo dali em diante. Na opinião deles, aprender a trabalhar com alimentos orgânicos junto do pessoal da cooperativa Marias da Terra é uma atividade não só gratificante, como também dignificante. Isso vem surtindo influências positivas em diversas instâncias de suas vidas – e até mesmo nas letras de funk que compõem, já que permanecem atuando como MC’s na cidade.

Da esquerda para a direita, Kaylan, João e Vinícius cantando refrãos de algumas de suas letras de funk. Foto: Lina Gabriela Bayona.

Depois, fizemos uma visita guiada por D. Ileide pela sua cozinha e pela sua horta – dividida em núcleos independentes, dedicados ou à formação de jovens agricultores, ou à produção para a cooperativa. Essa separação acontece para que crianças e adolescentes em formação não danifiquem culturas importantes e para preservar a integridade da horta contra o risco de intempéries ou outros tipos de interferência externa.

D. Ileide mostra pés de tomate plantados no núcleo de sua hora dedicado à formação de jovens agricultores. Fotos: Rafael Ghiraldelli.

Cada núcleo da horta de D. Ileide conta com plantas que não servem de alimento, mas que protegem as que servem, atuando como barreiras naturais de proteção contra o vento (no caso do capim-elefante) ou como repelentes de insetos nocivos (no caso da arruda e da citronela).

Fileira de capim-elefante que serve como barreira protetora contra o vento para o núcleo de formação da horta de D. Ileide. Ao fundo, bananeiras demarcam o limite da outra extremidade da horta . Foto: Rafael Ghiraldelli.

Outras melhorias vêm sido elaboradas, tal como a construção de uma cisterna, que armazenará água da chuva para irrigar a horta e reduzir a dependência do sítio de água extraída de poços artesianos.

D. Ileide explica para Lina como se dará o processo de coleta e armazenamento de água da chuva na futura cisterna (ao fundo). Foto: Rafael Ghiraldelli.

Nossa visita à horta também rendeu uma série de fotografias de qualidade mais poética, nas quais as mãos de D. Ileide interagem e nos ensinam sobre as particularidades do solo do local e dos vegetais que dele crescem. Essas fotos podem ser conferidas em uma seção de meu site/portfólio. Em seguida, acompanhamos a Kombi da cooperativa até o centro comunitário do Vergel. Ali, no local onde antes se localizava a colônia da antiga propriedade[7], fomos apresentados ao posto de saúde, à creche construída pela empresa Mahle, à unidade climatizadora de banana, à estufa montada em virtude de um projeto integrante do programa Ecoforte[8] onde experimentos com mudas orgânicos vem sido feitos com o apoio técnico de engenheiros da Unicamp, e à fabriqueta onde os alimentos colhidos nas hortas da cooperativa são beneficiados na forma de diferentes produtos.

Dentro da estufa, D. Ileide chama atenção para as mudas experimentais que, com maior refinamento, serão compradas futuramente pela Cooperativa de Agricultores e Agricultoras do Vergel (Coopervel). À esquerda, encontram-se mudas que cresceram com incentivo químico e, à direita, mudas orgânicas, sem incentivo. Todas foram plantadas ao mesmo tempo. Foto: Lina Gabriela Bayona.

Atualmente, a fábrica serve como uma segunda residência para D. Ileide e alguns dos rapazes, uma vez que, por razões de segurança, ela sente a necessidade de ficar por perto do equipamento e dos móveis que se encontram temporariamente armazenados lá dentro. Mesas, cadeiras e computadores doados pelo SENAC/São Paulo estão no aguardo de um projeto de reforma da antiga estação de trem para a construção de um laboratório de informática para os jovens da região. O espaço interior da fabriqueta é dividido em várias salas, cada qual com seu uso específico. Há, por exemplo, o espaço onde se lava mandioca, onde ela é descascada, e onde ela é cortada em pedaços que são, por sua vez, fritos para se tornarem chips.

D. Ileide mostra os fornos da fabriqueta utilizados para fazer pães e bolos. Foto: Lina Gabriela Bayona.

Há ainda um espaço reservado para seleção e empacotamento de produtos feitos na fábrica que conta com prateleiras que serão futuramente destinadas a uma biblioteca. A intenção da AMA, segundo nos disse D. Ileide é montá-la na mesma estação de trem do Vergel a ser reformada, em um espaço contíguo ao do laboratório de informática. Juntando à proposta a constituição de um centro de memória da comunidade, isso dará origem a um espaço cultural aberto à visitação de todos os moradores da região.

CONCLUSÕES

Levando todos esses projetos em conta, é preciso reconhecer que o coletivo de trabalhadoras e trabalhadores rurais do Vergel se constitui não só como uma das muitas formas de resistência ao padrão de agricultura comercial hegemônico, mas também como um exemplo ímpar de empreendedorismo, assistência social e formação de parcerias no campo. Há no trabalho das mulheres da AMA uma afinidade não só com o Movimento de Mulheres Camponesas (TAIT, 2015), mas também com outras frentes campesinas na América Latina como um todo, as quais vêm formando cooperativas e outras estratégias de negócio para colocar seus produtos no mercado e dar forma e visibilidade pública à sua mobilização política.

A participação de mulheres nessas empreitadas de oposição ao modelo de “mal desenvolvimento” (mal desarrollo) – que é mais conhecido como o modelo hegemônico de crescimento econômico, tão exaltado por políticos e estadistas da América Latina como um todo – prova que elas desejam ser reconhecidas pelos seus pares como mais do que meros “recursos” destinados às tarefas de cuidado (SHIVA, 1995). Ou melhor dizendo: querem que as tarefas de cuidado sejam devidamente reconhecidas como valiosas para a sobrevivência humana (HERRERO, 2014) e estendidas a todos os meios pelos quais a humanidade se relaciona (e se identifica) com a Natureza –  e consigo mesma. Deve-se superar de uma vez por todas atribuições do tipo, pautadas pelo gênero, local de trabalho ou por critérios econômicos imediatistas.

Evidencia-se assim como a interseccionalidade de gênero com causas de maior amplitude (que, no caso da AMA, é a luta pela reforma agrária popular) promove o protagonismo feminino na contraposição ao cultivo de transgênicos e a outras formas de plantio e/ou de monocultura impostas pelas demandas do agronegócio. E aqui, ao nos referirmos à monocultura, não falamos somente do plantio em si, mas também da falta de iniciativas duradouras de divulgação, fomento e intercâmbio cultural entre cidade e campo – o que, normalmente, leva a uma valorização do modo de vida e dos saberes urbanos em detrimento de epistemologias tradicionais e/ou alternativas. Essa é uma situação que, felizmente, vem sido modificada pelos cursos de formação de jovens agricultores mantidos pela AMA, os quais preparam crianças e adolescentes moradores da periferia de cidades da região de Campinas para assumir oportunidades de trabalho agroecológico na zona rural. Aqui, indivíduos marginalizados nas cidades em decorrência de sua condição socioeconômica se voltam à agricultura ecológica com o intuito de reencontrar sua dignidade e de efetivar para si possibilidades de reelaboração espiritual, cognitiva e interpessoal.

Ao construir em torno de seu trabalho de mais de uma década uma ideologia que se contrapõe à toxicidade dos venenos agrícolas e a da vida nas metrópoles paulistas, D. Ileide e as mulheres da AMA desconstroem o mito da cidade como meio infindável de oportunidades e resistem às tentações enganadoras do êxodo rural. Demonstram como obter renda com produtos orgânicos é possível, e como uma postura de preservação e de comunhão com a Natureza leva ao fortalecimento de laços comunitários e ao engajamento/conscientização sociopolítica.

Em suma, o que projetos tais como os realizados pela AMA fazem é descolonizar o pensamento e o imaginário coletivo em prol de um reconhecimento e de uma revalorização de saberes e práticas situadas. Não devemos confundir, no entanto, o movimento de retorno ao campo que eles promovem com um movimento retrógrado, de recusa à ciência e às tecnologias contemporâneas. O que está em jogo é a formação de um novo olhar sobre o campo, capaz de negar processos de subalternização e de abranger hibridismos epistemológicos sem deixar de reconhecer (e respeitar) a diferença.

Para o Bem Viver existir, a igualdade na diversidade deve pulsar, vibrante, em suas veias. Afinal, se retomarmos a problemática do mal desenvolvimento, veremos que: El mal desarrollo conspira contra esa igualdad en la diversidad, y superpone la categoría del hombre   tecnológico occidental – construida ideológicamente – como una medida uniforme del valor de las clases, las culturas y los géneros. […] La diversidad, y la unidad y armonía en la diversidad, se vuelvan epistemológicamente inalcanzables en el contexto del mal desarrollo, que entonces se convierte en sinónimo de subdesarrollo de la mujer (aumentando la dominación sexista), y agotamiento de la naturaleza (profundizando las crisis ecológicas). (SHIVA, 1995, p. 34)

Dito isso, é provável que as mulheres da AMA não se armem com os mesmos recursos de luta contra tal dominação sexista que os empregados pelas mulheres brasileiras da cidade atualmente. Há múltiplas convergências com a causa ambiental a serem consideradas – e nisso, conforme Puleo (2011) admite, o ecofeminismo se prova diverso por definição. A autora ainda propõe que um ativismo em rede seja o parâmetro-chave de organização dessa miríade de movimentos espalhados pelo mundo todo – e cada qual atento às especificidades de sua realidade local. Nesse sentido, não há dúvidas de que a AMA é feminista dentro de seus próprios termos. Mas isso não a impede de permanecer atualizada a novas formas de militância.

Conectada às redes sociais e às plataformas on-line de financiamento coletivo, atenta aos editais e linhas de fomento para pequenos e novos negócios, e antenada à produção musical de jovens MC’s, a AMA quer que seu futuro seja o mais culturalmente diverso – e, portanto, o mais ecofeminista possível. Sem vilipendiar o trabalho das mulheres que estiveram há tanto tempo na linha de frente do movimento junto dela, D. Ileide vê a formação de novas gerações de trabalhadores e trabalhadoras rurais com muito otimismo, e acredita que eles irão assumir papéis de suma importância na continuidade e expansão dos projetos sociais em desenvolvimento na região do Vergel.

Para os dias brutos que estão por vir, expectativas como as dela ajudam a manter certa esperança no futuro. D. Ileide admite preocupação, mas não se permite abalar. Que possamos seguir o exemplo de mulheres como ela sempre.

Sigamos cultivando afetos, onde, quando e como for possível.

 

*O artigo, o roteiro e a conclusão do audiovisual foram realizados por Rafael Ghiraldelli, Mestrando do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais, durante disciplina  JC101 – Tópicos de Divulgação Científica e Cultural I (Epistemologias situadas e engajadas: corpos e contextos na produção de conhecimentos, políticas e outros futuros possíveis), ministrada pela Prof.ª Dr.ª Márcia Maria Tait Lima no segundo semestre de 2018.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACOSTA, A. O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo, SP: Elefante, 2016. 264 p.

AMA – Associação de Mulheres Agroecológicas do Vergel. Página do Facebook. Disponível em: <https://www.facebook.com/AMA.MulheresAgroecologicas/>. Acesso em: 17 nov. 2018.

CADA Dia. Marias da Terra [TV]. Reportagem feita para o programa Cada Dia (especial “Dia das Mulheres”). Bandeirantes / Band Belo Horizonte, 2014. Disponível em: <https://youtu.be/RM43PHXs_io>. Acesso em: 17 nov. 2018.

Site oficial da Cooperativa de Agricultores e Agricultoras do Vergel. Disponível em: <http://www.coopervel.com/>. Acesso em 18 nov. 2018.

FALS-BORDA, O. Una sociologia sentipensante para América Latina. Bogotá: Clacso, 2009.

HERRERO, Y. Economía ecológica y economía feminista: un diálogo necesario. In: Carrasco Bengoa, C. (ed.), Con voz propia. La economía feminista como apuesta teórica y política. Madrid: La oveja roja, 2014. p. 219-237.

TAIT LIMA, M. M. Elas dizem não! Mulheres camponesas e a resistência aos cultivos transgênicos. Campinas, SP: Librum, 2015.

MARIAS da Terra. Página do Facebook. Disponível em: <https://www.facebook.com/MariasDaTerra>. Acesso em: 17 nov. 2011.

Site oficial. Disponível em: <http://mariasdaterra.com.br/>. Acesso em: 17 nov. 2018

PULEO, A. H. Los ecofeminismos en su diversidad. In: _____. Ecofeminismo para otro mundo posible. Valencia: Ediciones Cátedra, 2011. p. 29-85

SHIVA, V. El desarrollo, la ecología y la mujer. Ciencia, Naturaleza y Género. In Abrazar la vida. Horas y Horas Editorial, 1995.


[1] Agradeço muito a toda a ajuda que Lina me deu no que toca o processo de registro das entrevistas feitas com D. Ileide e os rapazes. Seu trabalho na direção de fotografia, na operação de câmera e na proposição de perguntas e de percursos retóricos e estéticos foi definitivamente essencial para a realização do minidocumentário referido neste artigo.

[2] Trata-se de um dos quadros permanentes desse programa apresentado por Luciano Huck às tardes de sábado na Rede Globo, descrito a partir da seguinte chamada (em <https://gshow.globo.com/programas/caldeirao-do-huck/noticia/caldeirao-do-huck-inscricoes-para-os-quadroscontesua-historia.ghtml>): “Você ou alguém que você conhece tem talento para empreender e quer um empurrãozinho para turbinar o seu negócio? Quem sabe o Caldeirão pode ajudar?”. Ver também <https://globoplay.globo.com/v/2582912/>. Acesso em: 16 nov. 2018.

[4] Trata-se de uma metodologia de pesquisa defendida por estudiosos tais como o colombiano Orlando Fals Borda (1925-2008) que parte de uma perspectiva decolonial e horizontal de estudos acerca de uma determinada realidade situada. Conhecida também por outros nomes em espanhol (p.ex., investigación-acción) a Pesquisa Ação Participativa (PAP) parte de um pressuposto colaborativo, emancipatório e não-hierárquico, em que os papeis de pesquisador e comunidade não são rigidamente demarcados, e na qual epistemologias locais são respeitadas. Aqui, em correspondência com as discussões contemporâneas de lugar de fala, o pesquisador deixa de “falar por” um determinado grupo de pessoas, e passa a “falar com” elas, longe de impor a essas vozes os rigores de uma análise científica de “cima-para-baixo” (que acaba sendo também, na maioria dos casos, de viés eurocentrado, branco, masculino, cisgênero e heterossexual).

[5] Dizemos respeito a um tipo de enquadramento utilizado à exaustão pelo telejornalismo, em que indivíduos entrevistados são focalizados pela câmera de quem os entrevista em numa escala de planos que variam do médio ao close (isto é, planos que enquadram o entrevistado sempre da altura dos ombros para cima).

[3] Localizado no distrito de Nova Aparecida (Campinas, SP), o CPTI merece um estudo a parte. Trata-se de uma ONG que atua no âmbito da educação não-formal, voltada a crianças, adolescentes e grupos familiares residentes de bairros periféricos da cidade. O que D. Ileide e as mulheres do AMA fizeram (e fazem) no campo torna-se conhecido pelos jovens que frequentam o Centro, e muitos vêm para Vergel conhecer as hortas da AMA de perto e participar dos cursos de formação agroecológica mencionados neste artigo.

[6] Em “Surname Viet, Given Name Nam” (1986), Minh-ha utiliza como recurso expressivo um primeiríssimo plano que chega a omitir partes do rosto das mulheres que entrevista, em um processo de investigação/encenação da vida dessas pessoas durante e após a Guerra do Vietnã (1955-1975).

[7] Antes de serem abandonadas e tornarem-se devolutas, as terras do Vergel eram de propriedade da Ferrovia Paulista S.A. (FEPASA), e utilizadas para o plantio de eucaliptos, cuja madeira tornava-se matéria-prima de dormentes de trilhos de trem.

[8] Trata-se de um programa vinculado à Secretaria de Governo da Presidência da República que integra o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo). Tem por objetivo fortalecer e ampliar redes, cooperativas e organizações socioprodutivas e econômicas de agroecologia, extrativismo e produção orgânica Brasil afora. Ver <http://www.secretariadegoverno.gov.br/iniciativas/brasil-agroecologico/ecoforte>. Acesso em 18 nov. 2018.