Todos os posts de Olhares do Campo

Greves, manifestações e o sindicato dos professores: entrevista com o prof. Mário Mariano Cardoso

 

 

Dando continuidade à publicação do dossiê Embates na Publicação Pública em 2016, segue abaixo o quarto texto do material. Produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, consiste em uma entrevista com o prof. Mário Mariano Cardoso, vice-presidente do sindicato dos professores da UFVJM na ocasião. O material contém informações sobre os procedimentos de uma greve, o que são atividades essenciais em um contexto de greve, além de uma reflexão sobre aspectos da conjuntura de 2016.

_________________________

 

 

Greves, manifestações e o sindicato dos professores: entrevista com o prof. Mário Mariano Cardoso

Amanda Oliveira Peçanha, Angela Silva Peçanha, Jucélia Viana Barbosa, Keyliene Pereira Martins e Nicarla Serafim de Souza.

 

 

No dia 28 de janeiro de 2017, fizemos uma entrevista com Mário Mariano Cardoso, Vice-Presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (ADUFVJM) e professor da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFJVM). Junto a outros assuntos, tratamos das lutas contra os cortes de recursos para a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e sobre demandas ainda pendentes para a universidade, tais como: vagas para docentes, dinheiro para as construções de moradia estudantil, laboratórios, mais prédios, restaurante universitário, dentre outras promessas realizadas pelo Ministério da Educação (MEC).

Também ouvimos o relato do professor acerca da manifestação – ocorrida no dia 29 de novembro de 2016 em Brasília – contra a PEC 55, a Reforma do Ensino Médio e o Projeto Escola Sem Partido. O movimento de greve geral foi comandado pelo Comando Nacional de Greve Estudantil (CNGE), instalado em Brasília. O mote da luta foi o combate a todos os retrocessos impostos pelo novo governo. Mais de 300 ônibus foram até Brasília com integrantes de movimentos estudantil, sindical e sociais de todo o país. Um ponto importante foi a organização da classe trabalhadora em geral, que ocupou Brasília e demonstrou a força de variadas categorias, dentre as quais, professores. Esse dia de greve geral teve grande alcance nacional, o que mostrou a capacidade dos movimentos sociais se unirem para fazerem frente aos ataques do governo Temer.

A partir desse contexto, dialogamos com o então vice-presidente do Sindicato dos Docentes da UFVJM (ADUFVJM), Mário Mariano Cardoso. Seguem abaixo os principais pontos dessa entrevista:

Quais as maiores dificuldades enfrentadas na greve docente da UFVJM ocorrida em 2016?

Podemos apontar como uma das dificuldades a falta de elementos objetivos para impedir a ação truculenta do governo contra as ações que envolveram a greve de 2016. Mesmo que a greve não seja algo novo na organização da classe trabalhadora, por ser um instrumento de luta coletiva, há sempre o desafio de superarmos um certo individualismo que habita a vida cotidiana, e em especial, o contexto de atuação de professores do Ensino Superior. A greve levada adiante pelos professores da UFVJM estava articulada a uma greve nacional dos docentes nas Universidades. Sendo assim, articular a luta social num território do tamanho do Brasil também traz dificuldades.

Foto tirada em frente o Ministro da Educação (MEC), em Brasília, no dia 29/11/2016. Cedida por Mário Mariano Cardoso.

Que procedimentos prévios devem ser adotados para realização de uma greve como essa?

Na UFVJM, a diretoria da ADUFVJM organiza assembleias periódicas com o objetivo de debater os problemas da categoria em âmbito local e promover a reflexão sobre as questões mais gerais dos docentes das universidades. A greve, em parte, nasce dessas discussões e também a partir do momento em que os docentes a compreendem como um instrumento efetivo para defesa de seus interesses e necessidades. Assim que as assembleias da ADUFVJM passam pautar a possibilidade de construção de uma greve, elas são ampliadas. Isso porque, segundo o regimento de nosso sindicato, tanto professores sindicalizados como não sindicalizados podem votar sobre essa pauta. Há algumas normas jurídicas que trazem condicionantes para o direito de greve. É necessário, por exemplo, informar com antecedência o dia de sua deflagração. Do ponto de vista político, entendo que a greve deve ter como procedimento prévio um profundo debate da categoria, avaliando a conjuntura e reunindo forças para que o movimento paredista seja efetivo na organização e no avanço da classe trabalhadora.

Houve alguma conquista resultante da greve docente de 2016?

Como conquista da greve de 2016 podemos citar o aumento da percepção da população em geral de que as medidas do ilegítimo governo Temer são prejudiciais à maioria das pessoas. Algumas pesquisas apontaram que mais de 80% da população era contra a aprovação da PEC 55 (nomeada pelo Governo como PEC dos Tetos dos Gastos e, por nós, como PEC do Fim do Mundo). Entendemos que, apesar do bloqueio de informações promovido pelas empresas da grade mídia, nossa greve possibilitou que os professores da UFVJM em Diamantina, por exemplo, dialogassem diretamente com a população, explicando os efeitos deletérios de se congelar gastos sociais com Educação e Saúde por 20 anos, conforme proposta da PEC.

Qual seu posicionamento em relação à greve? O que o motivou a participar?

A greve é instrumento legítimo e histórico dos trabalhadores contra os ataques que sofrem dos patrões. O que me motivou foi a compreensão de que deveríamos fazer algo contra os ataques desse governo.

Quais são as atividades essenciais a serem supridas durante a greve?

As atividades essenciais são definidas por um comitê de ética, formado no âmbito da assembleia de docentes. Além do processo de negociação com a reitoria, esse comitê leva em conta a legislação, que indica como essenciais, por exemplo, atividades cuja paralisação leva risco a vida humana.

Há um controle das atividades essenciais que foram atendidas?

O controle das atividades essenciais foi executado pela assembleia, onde qualquer pessoa poderia colocar em debate questões relativas a possíveis problemas com as atividades essenciais.

Houve articulação com setores de outros municípios que também deflagram greve?

Sim, por volta de 70 sessões sindicais de professores de universidades do Brasil inteiro (federais e estaduais) construíram a greve nacional do ANDES-SN.

Há algum material sobre greve disponível para orientar a população?

A greve de 2016 produziu inúmeros materiais. Vários ainda estão disponíveis nas redes sociais, bem como no site do ANDES-SN: < http://www.andes.org.br>.

A luta das escolas do campo da região do vale do Jequitinhonha

Dando continuidade à publicação do dossiê Embates na Publicação Pública em 2016, segue abaixo o terceiro texto do material: A luta das escolas do campo da região do vale do Jequitinhonha. Produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, é uma análise do processo de tentativa de fechamento de escolas de comunidades do município de Diamantina. O material contém dados informativos a respeito de leis e procedimentos que podem auxiliar profissionais da educação que porventura vivenciam processo semelhante.

______________

 

 

 

A luta das escolas do campo da região do vale do Jequitinhonha

Eni Elizabete Marques Ribeiro, Katiane da Cunha Ribeiro, Pablo Bedmar Soria, Valdeci Raimunda Fernandes.

 

 

 

As Leis

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no seu Artigo 205, garante a educação universal1 e, no Artigo 206, divulga uma série de princípios em que a educação deveria seguir como base, destacando entre eles a “igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” (BRASIL, 1988). Direitos esses que se veem refletidos igualmente no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em seu Artigo 53 (BRASIL, 1990).

Foi a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN – Lei 9.394/1996) que a escola do campo teve sua regulação2. De acordo com a LDBEN, a base nacional comum da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio será complementada pelas características regionais e locais da sociedade, pela cultura e a economia dos educandos. Com o decreto 7.352/2010 – Política de Educação do Campo e PRONERA, no seu Artigo 1º, se garante a formação e os recursos para a educação das populações do campo3. Com a Lei 13.005/2014, é aprovado o Plano Nacional de Educação – PNE. Este, no seu Artigo 8º, obriga que os estados, o Distrito Federal e os municípios “considerem as necessidades específicas das populações do campo e das comunidades indígenas e quilombolas, asseguradas a equidade educacional e a diversidade cultural” (BRASIL, 2014).

Como metas e estratégias do PNE, destacaremos as que se referem à garantia de atendimento às necessidades de expansão das redes públicas de ensino e às especificidades socioculturais das populações do campo e à garantia de qualidade, considerando as peculiaridades locais, o atendimento das populações do campo e das comunidades indígenas e quilombolas (BRASIL, 2014)4. Na Resolução SEE 2820/2015, no estado de Minas Gerais, se prioriza a oferta de educação nas próprias comunidades rurais e, ante a nucleação, garante a participação das comunidades na tomada de decisões, salvaguardando o diálogo, o respeito, os valores e a cultura das comunidades atendidas (MINAS GERAIS, 2015)5.

Essas leis efetivamente consideram as necessidades das populações do campo, como pontuam Mariano e Sapelli (2014, p.14): “a permanência dos sujeitos no campo está intimamente relacionada a várias questões: a possibilidade de produzir renda, a possibilidade de realizar anos de escolarização e outros”.

A realidade

Figura 1 – Diminuição do número de escolas do campo no Brasil – 2003-2013

Fonte: Cacian (2014).

Segundo Ferreira e Brandão (2012), as autoridades municipais escolhem a nucleação para economizar salários, mas penalizam os alunos com uma escola que não dá conta das diversidades, contando com um transporte escolar de pouca qualidade que, em muitos casos, atravessa longas distâncias de estradas malcuidadas. Junto a essas motivações econômicas, não podemos ignorar que, como diz Arroyo (1991):

a negação do saber interessou sempre à burguesia que vem submetendo o operariado ao máximo de exploração e de embrutecimento. Interessou ao Estado excludente que prefere súditos ignorantes e submissos (p.12).

Assim, concordamos com Cavalcanti (2013, p. 136), que pontua que a legalidade não efetiva o direito. Como resultado dessas contradições, as estatísticas são preocupantes, uma vez que a redução de escolas rurais no Brasil tem avançado. Brandão e Ferreira (2012) analisam os dados do INEP entre 1991 e 2010 para concluir que os recursos não foram aplicados de forma politicamente correta, concentrando políticas educacionais próximas aos centros dos municípios em detrimento das periferias e do campo6. Podemos observar nas estatísticas publicadas pelo Censo Escolar-MEC/INEP (2015) que o número de escolas foi reduzido em 3.296 no ano de 2013 e em 4.084 no ano de 2014; em oposição ao crescimento do número de escolas em áreas urbanas7.

Figura 2 – Diminuição do número de escolas do campo no Brasil – 2014

Fonte: MST (2015).

As consequências.

O processo de fechamento de escolas rurais, segundo Brandão e Ferreira (2012), vem associado à evasão escolar, entre outros graves prejuízos contra a identidade cultural, aprendizagem dos alunos e desenvolvimento cognitivo8. Tudo isso se soma à precariedade nos transportes escolares rurais e às grandes distâncias entre comunidades e escolas. Dentre outros aspectos, muitas escolas têm sido fechadas sem sequer tenha se promovido uma audiência pública com a comunidade interessada, o que fere frontalmente a legislação. Percebeu-se, no diálogo com comunidades que enfrentaram a situação, que há um amplo desconhecimento do marco legal que orienta e disciplina a educação do campo hoje no Brasil9.

Um exemplo desse processo foi a tentativa de fechamento dos cursos finais do ensino fundamental da escola Municipal Ana Célia de Oliveira em Mendanha, da Escola Municipal na comunidade de Maria Nunes e da Escola Municipal da Sopa, todas situadas em distritos do município de Diamantina – MG. Em resposta a essa situação, as comunidades se mobilizaram no objetivo comum de resistir à nucleação e ao fechamento. A partir disso, descobriu-se que a Secretaria Municipal de Educação descumpriu as leis ao tomar decisões sem consulta pública, o que atingiu muitos alunos das áreas rurais que tiveram que se deslocar para um centro urbano.

A reflexão e a proposta de luta

Como resultado dessas experiências e dificuldades, surge uma urgência por sistematizar as experiências bem-sucedidas a serem reproduzidas em comunidades que sofreram e sofrem com a nucleação. Conforme resume Dias (2007, p.441), nós consideramos que “a educação se insere no conjunto dos chamados direitos fundamentais (…) o direito à educação pertence a todos os indivíduos”. Cavalcanti acrescenta que isso significa colocá-la como parte integrante da dignidade humana, pré-requisito à liberdade civil e para o exercício de outros direitos, os quais justificam a luta dos camponeses por políticas públicas específicas que interferem na efetividade desse direito. Seriam exemplos disso a reforma agrária, o reexame dos aspetos legais do direito à educação e a forma que esta se faz acontecer, entre outros. Para o autor, é necessário, nesse contexto, considerar “os déficits históricos, da educação dos sujeitos do campo e suas especificidades de sujeitos determinados histórica, étnica e culturalmente” (CAVALCANTI, 2013, p. 136).

Em concordância com Rabenhorst (Apud CAVALCANTI, 2013, p. 139), já que as leis por si só não garantem o direito à educação, mesmo tendo instituições responsáveis por sua aplicação, são necessários também outros instrumentos extrajurídicos resultantes do poder social. A respeito desse ponto, assumimos a tarefa de concluir o presente texto com uma breve compilação de sugestões que possam ser instrutivas contra práticas de nucleação das escolas do campo:

  1. Mobilização da comunidade, reuniões informativas das leis e planejamento de passeatas e atos públicos.

  2. Parcerias com Licenciaturas em Educação do Campo das universidades da região e/ou com outras instituições capazes de dar apoio legal como, por exemplo, a FETAMG (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais).

  3. Denúncia ao Ministério Público.

  4. Reunião com o legislativo (Câmara Municipal) e o executivo (o prefeito) da localidade.

  5. Manifestações públicas em diversos espaços, como na Câmara Municipal.

  6. Assembleia geral com a comunidade com socialização de informações e tomadas de decisões.

Referências

ARROYO, Miguel G. (Org). Da escola carente à escola possível. 4. ed., São Paulo, Loyola, 1991.

BRANDÃO, Elias Canuto; FERREIRA, Fabiano de Jesus. Educação e políticas de fechamento de escolas do campo. Rede Estudos do Trabalho. 2012. Disponível em <www.estudosdotrabalho.org/texto/gt1/educacao_e_politica.pdf>. Acesso em: jan. 2017.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988.

BRASIL. Lei nº 9.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF. 1990. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm>. Acesso em: jan. 2017.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Casa Civil, 1996.

BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010. Define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília, DF: MEC, 2010.

BRASIL. Decreto nº 7.352, de 4 de novembro de 2010. Dispõe sobre a política de educação do campo e o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária – PRONERA. Brasília, DF: Casa Civil, 2010.

BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de Março de 2008. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Diário Oficial da União, Brasília, 11 mar. 2008. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm>. Acesso em: jan. 2017.

BRASIL. PEC nº 55, de 19 de dezembro de 2016. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/atividade/materia/getTexto.asp?t=201940>. Acesso em: jan. 2017.

BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm>. Acesso em: jan. 2017.

BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Resolução CNE/CEB n° 1, de 3 de abril de 2002.

CACIAN, Natália. Brasil fecha, em média, oito escolas por dia na região rural. Da folha de São Paulo. Disponível em http://www.mst.org.br/node/15809 Acesso em 7 de junho de 2014.

CAVALCANTI, Cacilda Rodrigues. A educação do campo sob a ótica dos direitos humanos. In: __________; COUTINHO, Adelaide Ferreira (Org.). Questão agrária, movimentos sociais e educação do campo. Curitiba: Editora CRV, 2013.

CURY, Jamil. Políticas inclusivas e compensatórias na Educação Básica. Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 124, p. 11-32, jan./abr. 2005.

DIAS, Adelaide Alves. Da Educação como direito humano aos direitos humanos como direito educativo. In DIAS et AL. Educação em direitos humanos: fundamentos teórico-metodológicos. Brasília: MEC / SEDH / SECAD. 2007.

INEP. Sinopses Estatísticas da Educação Básica. Disponível em <http://portal.inep.gov.br/sinopses-estatisticas>. Acesso em: jan. 2017.

MARIANO, Alessandro Santos; SAPELLI, Marlene Lucia Siebert. Fechar escola é crime social: causas, impacto e esforços coletivos contra o fechamento de escolas no campo. 6º Seminário Nacional. Estado e Políticas Sociais, 2º Seminário de Direitos Humanos. Capitalismo Contemporâneo Na América Latina: Políticas Sociais Universais? 15 a 18 de setembro de 2014 – Unioeste – Campos de Toledo, PR. 2014.

MARINO, D. J; CORDEIRO, T. G. B. F. A educação do campo no plano nacional de educação. Anais do V Simpósio Internacional VI Simpósio Nacional de Geografia Agrária, Belém do Pará, MEC/ INEP. Indicadores demográficos e educacionais. Disponível em <http://ide.mec.gov.br/2011/estados/relatorio/uf/33>. Acesso em 22/11/2011.

MINAS GERAIS, Resolução SEE nº 2820/2015 Institui as Diretrizes para a Educação Básica nas escolas do campo de Minas Gerais. 2015. Disponível em: <https://www.educacao.mg.gov.br/index.php?option=com_gmg&controller=document&id=15992-resolucao-see-n-2820-2015&task=download>. Acesso em: jan. 2017.

MST. Saiba as linhas gerais das reivindicações para a Educação do Campo. 2011. Disponível em http://www.mst.org.br/node/11874 Acesso em 7 de junho de 2014.

PERIPOLLI, Odimar João; ZOIA, Alceu. O Fechamento das Escolas do Campo: O anúncio do fim das comunidades rurais/camponesas. Disponível em: <http://projetos.unematnet.br/revistas_eletronicas/index.php/educacao/article/view/435/273>. Acesso em: jan. 2017

RABENHORST, Eduardo. O que são direitos humanos. Disponível em <http://www.redhbrasil.net/documentos/biblioteca_online/modulo1/1.o_q_sao_dh_eduardo.pdf>. Acesso em 16//10/2010 apud CAVALCANTI, Cacilda Rodrigues. A educação do campo sob a ótica dos direitos humanos. In: __________; COUTINHO, Adelaide Ferreira (Org.). Questão agrária, movimentos sociais e educação do campo. Curitiba: Editora CRV, 2013.

1 “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988).

2 Artigo 28: Na oferta da Educação Básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e da região, especialmente:

I – Conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural;

II – Organização escolar própria, incluindo adequações do calendário escolar s fases do ciclo da agrícola e as condições climáticas;

III – adequações a natureza do trabalho na Zona Rural (BRASIL, 1996).

3 § 4º A educação do campo concretizar-se-á mediante a oferta de formação inicial e continuada de profissionais da educação, a garantia de condições de infraestrutura e transporte escolar, bem como de materiais e livros didáticos, equipamentos, laboratórios, biblioteca e áreas de lazer e desporto adequados ao projeto político-pedagógico e em conformidade com a realidade local e a diversidade das populações do campo (BRASIL, 2005).

4 1.1) definir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, metas de expansão das respectivas redes públicas de educação infantil segundo padrão nacional de qualidade, considerando as peculiaridades locais; (…)

1.10) fomentar o atendimento das populações do campo e das comunidades indígenas e quilombolas na educação infantil nas respectivas comunidades, por meio do redimensionamento da distribuição territorial da oferta, limitando a nucleação de escolas e o deslocamento de crianças, de forma a atender às especificidades dessas comunidades, garantido consulta prévia e informada; (…)

18.6) considerar as especificidades socioculturais das escolas do campo e das comunidades indígenas e quilombolas no provimento de cargos efetivos para essas escolas; (BRASIL, 2014).

5 Art. 12 A Ed. Básica no Campo deverá preferencialmente ser ofertada nas próprias comunidades rurais, evitando-se os processos de nucleação de escolas e de deslocamento de estudantes para fora de sua comunidade de pertencimento. (…)

§ 3º Quando os anos iniciais do ensino fundamental não puderem ser ofertados nas próprias comunidades das crianças, o processo de nucleação (intracampo) deverá garantir a participação das comunidades, especialmente as famílias das crianças, na definição do local, bem como na avaliação das possibilidades de percurso a pé pelos alunos, na menor distância a ser percorrida.

§ 4º Para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, integrado ou não à Educação Profissional Técnica, o processo de nucleação intracampo poderá constituir-se, desde que salvaguarde o diálogo, o respeito, os valores e a cultura das comunidades atendidas (MINAS GERAIS, 2015).

6 A análise dos dados revela haver recursos que não tem sido aplicado politicamente correto e os gestores públicos nos municípios se acomodam frente às políticas educacionais concentrando-as próximos dos centros administrativos. O resultado é o fechamento de 22.983 estabelecimentos de ensino da rede básica público no meio rural e 18.230 estabelecimentos urbanos, entre 2003 a 2010 (BRANDÃO; FERREIRA, 2012).

7 Como pode se observar nas Imagens 1 e 2 nos anexos.

8 “A análise indica que a concentração de alunos no meio urbano ofende os direitos básicos das crianças e adolescentes em idade escolar, trazendo prejuízos à própria identidade cultural, à aprendizagem e à formação e desenvolvimento cognitivo por perder a infância durante longos trajetos até os centros urbanos, unicamente para preencher critérios de conveniência das administrações municipais e estaduais, sem estudos científicos e sociais que comprovem as decisões” (BRANDÃO; FERREIRA, 2012).

9 Depoimentos obtidos em entrevistas com Maria da Piedade Gomes, vice-presidenta da associação comunitária do artesão de Sopa (COPART) e com Tulya da Cruz Santos, coordenadora Pedagógica da E. M. Prof.ª Ana Célia de Oliveira e experiências pessoais de Valdecí Raimunda Fernandes, aluna da LEC e moradora de Mendanha.

Embates na Educação Pública em 2016: Contextualizando politicamente a PEC 55

Dando continuidade à publicação do dossiê Embates na Publicação Pública em 2016, segue abaixo o segundo texto do material: Contextualizando politicamente a PEC 55. Produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, é uma análise da PEC 55 enquanto uma medida politicamente alinhada com a proposta do governo vigente. Procura, a partir disso, contextualizar que visão política estaria relacionada à PEC, buscando também trazer alguns aspectos da presença e da história dessa visão no contexto da América Latina.

______

 

 

 

 

Contextualizando politicamente a PEC 55

Eliane Maria Pires; Ingrate Taiz Ferreira, Fransciele dos Reis, Maura Rodrigues

 

 

A Proposta de Emenda Constitucional 55 (PEC 55) pode ser entendida como uma medida neoliberal que compõe o programa de governo Michel Temer, uma coalizão comandada, ao menos no período da greve docente de 2016, pelos partidos PMDB e PSDB. O neoliberalismo é uma doutrina político-econômica que, no Brasil, foi derrotada nas últimas eleições presidenciais de 2014 e teve certa decadência na América Latina na década de 2000. Trata-se de um projeto desenvolvido nos anos Reagan e Tatcher, na década de 80, por grandes potências capitalistas como EUA e Inglaterra. A partir do Consenso de Washington (reunião entre grandes empresários e setores do governo americano), em 1989, tal doutrina se espalhou pelo mundo.

A PEC 55, que possui um grande índice de rejeição, prevê o congelamento de gastos do governo em áreas como a saúde e a educação por 20 anos, a fim de atender um estreito segmento da população que detém o poder econômico. Segundo críticos, o congelamento de gastos poderá desmantelar conquistas que levaram décadas para se concretizarem no campo da educação. Ao analisar a PEC como uma retomada das propostas neoliberais, podemos então relembrar que medidas similares eram propagadas pelas mídias latinoamericanas nos anos 90 como sendo a solução para os mais graves problemas que tais países enfrentavam, algo que os conduziriam ao rumo do desenvolvimento. O neoliberalismo pregava juros altos, controle da inflação, privatizações de estatais para combater desigualdades sociais. Tais receitas econômicas, impostas por credores como o FMI, visavam atrair investimento estrangeiro e prometiam se livrar da corrupção e da suposta incompetência do Estado. No entanto, na ocasião, as taxas de desemprego explodiram e as desigualdades sociais aumentaram.

Em 1998, Hugo Chávez Frias venceu as eleições presidenciais da Venezuela, apresentando um plano de governo alternativo às diretrizes neoliberais hegemônicas. Esta foi a primeira derrota do modelo no continente na década de 90, que deu início a uma onda de governos progressistas em diversos países: Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador, Uruguai, Nicarágua e outros.

O que está em curso na atual conjuntura na América Latina é uma pressão de retomada do projeto neoliberal, após a onda de governos progressistas, o que resulta em medidas como a PEC 55. Na Argentina, esta retomada se deu por vias eleitorais e o atual presidente Macri vem implementando o neoliberalismo em sua mais pura expressão. Em Honduras, Paraguai e Brasil, a retomada do neoliberalismo se deu através da derrubada, sem embasamento jurídico legítimo, de governos eleitos. Os demais países assistem a suas economias serem internamente sabotadas por oligarquias locais, além de sofrerem pressões e campanhas de desestabilização política ligadas a grupos da mídia oligárquica, partidos e grupos civis de direita financiados pelo empresariado.

Trajetória da Educação no Brasil e a PEC 55

Analisando o projeto público de educação no Brasil, podemos dizer que ele tem oscilado entre altos e baixos. Em 1998, o presidente reeleito Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, dentro do modelo neoliberal, conforme prometido em campanha, implementou o programa Avança Brasil – Mais quatro anos de desenvolvimento para todos, que teve mais fracassos do que acertos na área da educação. A educação infantil foi a única “menção honrosa” do programa. Ensinos fundamental, médio, superior e EJA, por sua vez, ficaram no meio do caminho. O programa não cumpriu duas das principais promessas de campanha: a de elevar em pelo menos 70% o número de concluintes do ensino fundamental e a de ampliar o ensino fundamental obrigatório para nove séries, com início aos seis anos de idade. Apesar da criação do Fies – Financiamento ao Estudante de Ensino Superior, criado em 1999, os programas educacionais de ensino começavam buscando seguir as metas pretendidas, porém rapidamente perdiam as forças. Foi também neste governo a aprovação do Plano Nacional de Educação – PNE, um plano que define diretrizes, estratégias e metas para a educação durante 10 anos. Fruto de uma luta de movimentos sociais de educação, o PNE, mesmo implementado, não conseguiu atingir plenamente as expectativas desse grupo: exigia-se 7% do PIB para educação, porem o governo só cedeu 4%.

A partir de 2003, o quadro nacional se altera. O Partido dos Trabalhadores – PT derrota a política neoliberal nas urnas em 2002 e elege Luiz Inácio Lula da Silva como Presidente da República. Durante o mandato, houve uma democratização da educação através da implementação de novos programas, da ampliação de outros e, ainda, do aumento de recursos públicos para a área. Este governo colocou em prática várias mudanças, como o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), a reforma do ensino fundamental, o novo Enem a reforma universitária – que engloba programas e medidas provisórias como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI) e o Programa Universidade para Todos (PROUNI), entre outras. Em 2002, houve um significativo aumento no orçamento do Ministério da Educação, de 20 para 70 bilhões (2010)1. Mesmo com tanto avanço no sistema educacional, o governo Lula também deixou a desejar em alguns setores, como por exemplo, em relação à alfabetização de jovens e adultos.

Ao fim do segundo mandado de Lula, em 2010, mais uma vez o PT vence as eleições de forma democrática e elege a presidenta Dilma Roussef, que colocou como prioridade de sua gestão a educação, com o lema “Pátria Educadora” e tendo como bandeira principal o programa “Ciências sem Fronteiras”. Durante o seu mandato, a presidenta realizou vários investimentos em vários níveis de ensino. Destinou os recursos do Pré-sal para o setor da educação, na expectativa que os recursos ultrapassassem R$ 1 trilhão. Dilma também sancionou o Plano Nacional de Educação, com investimento previsto de 10% do Produto Interno Bruto. Na educação profissional teve destaque a criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego, que criou mais de 8 milhões de vagas. Foram criados também mais de 600 cursos técnicos e profissionalizantes a fim de viabilizar recursos humanos para os setores econômicos. Ainda em seu mandato, o Exame Nacional do Ensino Médio – Enem bateu o recorde de inscrições e democratizou o acesso de estudantes às universidades federais, estaduais e aos institutos de tecnologia por meio do Sistema de Seleção Unificada – Sisu. O Ciência Sem Fronteiras garantiu a mais de 80 mil brasileiros bolsas para estudo nas melhores universidades do mundo. O mandato de Dilma durou até agosto de 2016, após sofrer impeachment.

Houve um nítido avanço durante o governo do PT, com os presidentes Lula e Dilma, na área da educação. Mais investimentos e consolidações que vieram de um plano político consolidado e da grande pressão dos movimentos populares da educação. Por outro lado, a doutrina neoliberal representada sobretudo pelo programa político do PSDB foi derrotada em quatro eleições consecutivas pelo programa reformista do PT. O choque neoliberal, portanto, só consegue se concretizar no Governo do então vice-presidente Michel Temer, após o processo de impeachment que destitui a Presidenta Dilma Roussef. É nesse contexto que se dá a implantação da PEC 55.

PEC 55 e a Imprensa Internacional

As medidas da PEC 55 repercutiram em toda imprensa internacional, com críticas significativas às consequências previstas de sua implementação. O jornal britânico The Guardian, por exemplo, apontou na ocasião que “A PEC 55 reforça os temores de que o governo direitista de Temer vai empurrar o Brasil de volta à sua posição histórica entre os países mais desiguais do planeta”2, reputação que vinha sendo revertida. Já a Radio France Internationale viu a medida como uma imposição do novo governo: “As Nações Unidas ressaltaram que há um problema referente à democracia, já que o programa do novo presidente Michel Temer, que chegou ao poder após a destituição de Dilma Rousseff, jamais foi submetido às urnas”. Durante o processo de tramitação da PEC 55 houve muita tensão em todo o país: mobilizações por todo o Brasil em forma de greves, paralizações, manifestações, abaixo-assinados. Movimentos sociais, grupos de esquerda e comissões em vários âmbitos (regionais, estaduais, nacionais) se organizaram coletivamente para protestar contra essas medidas do governo Temer. De uma forma geral, o entendimento desses grupos é o de que a PEC 55 acarreta prejuízos sociais não só para o campo da educação, mas para todos os setores do país. Isso, pensando que a educação é a ferramenta principal para o desenvolvimento de uma nação e que sua defasagem prejudica não só os dias atuais, mas sim toda uma geração futura.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CAPITAL, Carta. Economia. Entenda o que está em jogo com a aprovação da Pec55.19/12/2016 Disponível em: < http://www.cartacapital.com.br/economia/entenda-o-que-esta-em-jogo-com-a-aprovacao-da-pec-55>. Acesso em 28. jan 2017.

PIOLLA, Gilmar. Aprendiz. O que o governo FHC fez e deixou de fazer pela educação. Disponível em: < http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/g_piolla/id180702.htm >. Acesso em 26 jan 2017.

BATISTA, Paulo Nogueira. O Consenso de Washington. A Visão Neoliberal dos Problemas Latino-Americanos. Ed. Consulta Popular. Caderno n°7. 1999.

MONCAU, Gabriela; NAGOYA, Otávio. Associação Brasileira Mantenedora de Ensino Superior. Educação: Avanços e Retrocessos do Governo Lula. Revista Caros Amigos. 19/11/2010. Disponível em < http://blog.abmes.org.br/?p=1318> Acesso em 26. Jan 2017.

1Informação online sem paginação.

2Informação online sem paginação.

Conforme anunciado ontem, segue abaixo o primeiro texto do dossiê “Embates na Educação Pública em 2016: das ocupações estudantis à greve docente”. O texto, produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, consiste em uma apresentação e uma breve contextualização do material como um todo. Antecipa, assim, as temáticas que os demais grupos de estudantes priorizaram em suas buscas.  Boa leitura!

_____

 


 


 

Apresentação do dossiê

Ana Lucia Oliveira, Claudia Rejane de Souza, Graciele de Jesus do Nascimento Svercel, Joice Alves Carvalho e Wallison Victor Caldeira de Freitas


 

“A ocupação da UFVJM pelos estudantes foi o que impulsionou os professores a deflagrarem a greve.” (Professora entrevistada da UFVJM)

Várias movimentações e protestos aconteceram no Brasil nos últimos meses de 2016 motivados pelas ameaças contra a educação no país. Foram a partir deles que estudantes das redes estatuais e universitários demonstraram sua insatisfação com a Medida Provisória (MP) 746/2016, que altera o Ensino Médio, e com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55/2016, antiga PEC 241/2016, que cria um teto de crescimento para os gastos públicos. Esses atos motivaram a turma do terceiro período da Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), na disciplina Leitura e Produção de Texto, a criar este dossiê que retrata várias fases e faces das manifestações.

Nota-se, em uma visão geral, que os acontecimentos, segundo uma professora universitária entrevistada, se deram aos ataques do ‘(des)governo’ do atual presidente da República, Michel Temer, que promoveu cortes de investimentos para as universidades, o que afetou sobretudo aquelas em expansão, como a própria UFJVM. Na universidade, as infraestruturas dos cursos vigentes, bem como os laboratórios e bibliotecas dos novos cursos, necessitam de recursos para sobreviverem. A MP afetou as licenciaturas vigentes e se tornou o elemento central de um movimento que culminou em greve docente no final de outubro de 2016.

Antes da greve, os professores da UFVJM tentaram a realização de um Comitê de Mobilização para dialogar sobre os temas MP 746, PEC 55 e o não cumprimento da pactuação financeira do Ministério da Educação (MEC), que consistia em repasse de verbas para a universidade e não disponibilização de vagas para docentes. O comitê não obteve êxito e após a ocupação dos estudantes, que se tornaram os precursores de tudo, professores viram a necessidade de se integrar às lutas. A reitoria apoiou as manifestações, mas ao mesmo tempo queria que nem todos os setores da universidade fossem desativados. Em entrevista, uma professora universitária que não quis se identificar afirmou: “a Universidade recebe migalhas por meio de parlamentares que exigem como moeda de troca os votos.”

Este dossiê retrata – por meio de análises, pesquisas, entrevistas – as diversas manifestações do período, envolvendo a greve docente e ocupações da UFVJM e das escolas de Diamantina. Inicialmente, é apresentada uma visão global e histórica de políticas neoliberais de outros países que remetem ao contexto da nova conjuntura política brasileira. Também é pauta deste dossiê a luta para a manutenção de escolas do campo da região de Diamantina, a partir das atitudes dos grupos grevistas contra a nucleação e o fechamento de escolas municipais de Mendanha, Maria Nunes e Sopa, distritos de Diamantina/MG. Mais adiante, o movimento estudantil é abordado em um artigo composto de dados referentes às lideranças e direitos dos estudantes em quanto à greve do final de 2016.  As informações da greve realizadas em Diamantina/MG são assunto de uma entrevista com o Professor Mario Mariano Ruiz Cardoso, vice-presidente do sindicato de professores na ocasião e que esteve no comando de greve na UFVJM. Em outro texto, analisa-se uma tensão percebida na ótica dos comerciantes locais, por muitos serem contrários à greve enquanto, de outro lado, há argumentos de que o que sustenta a cidade são os negócios proporcionados pela universidade. Em busca de compreender o envolvimento da LEC-UFVJM com a greve, o dossiê retrata, também, por meio de relatos, as experiências dos estudantes grevistas que participaram do Encontro Nacional das Licenciaturas em Educação do Campo (ENELEDOC), bem como a participação e posicionamentos da coordenação, do colegiado e de demais estudantes do curso. Outros pontos de destaque do dossiê consistem na Manifestação Nacional em Brasília, ocorrida no dia 29 de novembro de 2016, e um artigo analisando a luta dos integrantes dos movimentos sociais que realizaram um protesto pacífico em Brasília e foram recebidos com balas de borrachas, dificultando o direito à voz dos grevistas.

De um modo geral, o que se percebeu é que o processo da greve movimentou a maneira de muitas pessoas analisarem prejuízos para as questões sociais da cidade, sobretudo se acaso a UFVJM viesse a fechar. A discussão sobre essa conjuntura, seja nas universidades, escolas ou qualquer outro contexto, é uma importante troca de experiência e conhecimento sobre a realidade política atual do nosso país. Toda luta é bem-vinda, desde que saibamos porque lutamos e para que lutamos.

Livro ‘Memórias de Letramento’ disponível para download

O livro digital “Memórias de Letramento: vozes do campo”, editora UFVJM, 2017 organizado por Carlos Henrique Silva de Castro e Luiz Henrique Magnani está disponível para download gratuito. Clique aqui para acessar.

—————

Saiba mais sobre: 

“Memórias de Letramentos: vozes do campo” é um livro sobre aprendizagens. Como todo trabalho sobre esse tópico, ele é educativo e, antes de tudo, emocionante. Podemos aprender muito a partir dessa leitura permeada de várias vozes do campo, que nos trazem práticas de alfabetização e letramentos nem sempre previstas pelo olhar acadêmico, mas que contribuíram e contribuem significativamente para o processo formativo do nosso povo.
Podemos aprender sobre a importância das lutas na busca pelo conhecimento, o que envolve situações desafiadoras como: correr para fugir da chuva de uma escolha destelhada e se abrigar na igreja mais próxima, caminhar por horas para chegar à escola, enfrentar falta de merenda, estudar à luz de lamparina, acordar extremamente cedo ou, ainda, passar o dia todo entre o ônibus e a escola. Podemos perceber o quanto se pode aprender com práticas cotidianas e lúdicas, feito a famosa brincadeira de ‘escolinha’, pela qual muitos passaram, bem como os causos dos mais velhos à beira do fogão de lenha. Essas experiências são trazidas por estudantes do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).
Há, nos relatos, a menção a livros que fazem parte dessas histórias como O diário de Anne Frank, A história sem fim, Poliana, O Fantasma do Tarrafal, O Barquinho Amarelo, O Navio Negreiro, A Bonequinha Preta, A Vida Secreta de Jonas, O Menino Maluquinho, A festa no céu, A Marca de uma Lágrima, Linéia num jardim de Monet, Minha Vida de Menina, Iracema, Lucíola, Senhora, a Bíblia, dentre vários outros, muitos conhecidos do grande público, mas a maioria sem citação dos autores. Há relatos de leituras de autores clássicos de literatura brasileiros, como Álvares de Azevedo, Aluísio de Azevedo, Machado de Assis, José de Alencar, Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade; de clássicos gregos, como Homero; o francês Charles Baudelaire; o estadunidense Edgar Allan Poe e best sellers como os de Sidney Sheldon. Uma das poucas autoras citadas é Raquel de Queiroz. Há espaço para os cartuns de Ziraldo e para os animes. Notamos, assim, que os personagens também são muitos e diversificados. Há os brasileiríssimos Jeca Tatu e Mônica, o estadunidense Bambi, o japonês Pokémon e outros já consagrados no imaginário ocidental, como Chapeuzinho Vermelho, os Três Porquinhos e João e Maria. Há também os personagens de causos contados pelo pai, como um certo hortaleiro e um príncipe, e os dos livros doados por tios e irmãos.
As professoras aparecem com frequência, e muitas delas são carinhosamente chamadas de tia. Conheceremos os esforços das alfabetizadoras Cida, Raquel, Salete, Rosária, Maria do Rosário, Dilvânia, Shirly, Nardete, Mariza, Amarailda, Idalina, Dona Martinha e Dona Sirlene, dentre outras. Saberemos de uma professora que comprava livros para suprir a escassez da escola. Curiosamente – ou nem tanto, quando se conhece a realidade das salas de aula – há poucas referências a professores homens, como os citados Paulo Natalício, o Valdir e o Tutu. Os bons resultados desses professores, no contexto de pouca formação acadêmica, são uma vitória incontestável de quem toma para si a luta pela educação.
Nessa luta, o papel dos familiares e da comunidade também se mostra fundamental na apresentação de novos textos e na motivação dos pequenos. É o caso do Tio Bené, da Tia Maria, do vô Levindo e de irmãos mais velhos que ora ajudavam na decoreba, ora acompanhavam a irmã no castigo ou no enfrentamento da professora. É o caso do Sebastião, o vizinho que lia histórias para as crianças, e da vizinha Estela, que habitualmente emprestava papel e lápis de cor.
As práticas de escrita acontecem formal e informalmente. Há relatos de rabiscos de carvão nas paredes que eram o único suporte para as primeiras práticas com a escrita de uma criança; de diários e poemas produzidos por iniciativa própria; do Jornal Mural que foi definitivo na motivação para a leitura de uma estudante; do mural com os nomes dos melhores leitores da escola acompanhados de uma estrelinha; da curiosidade diante de textos religiosos presentes na vida familiar; da inusitada técnica de cópia de desenhos que usava querosene no papel; e até a aprendizagem autônoma de uma criança de cinco anos que assistia às aulas da mãe sem nenhum compromisso, mas um dia leu a palavra ó-le-o na lata do produto.  As escolas, por sua vez, eram sobretudo públicas, como as municipais e as estaduais, ou de associações, como algumas creches e as Escolas Família Agrícola (EFA).
Temos certeza que essa experiência de leitura será muito rica para todos aqueles que se interessem pelo diálogo sobre a educação.

 

Embates na Educação Pública em 2016: das ocupações estudantis à greve docente

O texto a seguir é o prefácio do dossiê “Embates na Educação Pública em 2016: das ocupações estudantis à greve docente”, organizado pelos professores Carlos Henrique de Silva Castro e Luiz Henrique Magnani, da Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da UFVJM. O dossiê foi produzido ao longo do ano como parte de atividades regulares de disciplinas do curso. Os textos do dossiê serão divulgados dia após dia a partir dessa primeira publicação! Ao fim, será divulgada uma versão completa, em PDF, contendo todos os textos do dossiê. Boa leitura!

—–

Prefácio

Iniciado no primeiro semestre de 2017, o presente dossiê resulta de uma atividade realizada nas disciplinas ‘Leitura e Produção de Texto’ e ‘Gêneros Discursivos e Textuais’ do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), campus de Diamantina. Acima de tudo, é fruto de um trabalho coletivo, envolvendo professores e estudantes, educadores e educandos. Um processo construído o quanto possível de forma dialógica que buscou as vozes dos diferentes sujeitos envolvidos. Isso, desde um debate inicial a respeito sobre o tema escolhido até as diferentes propostas de execução que cada grupo de estudantes assumiu.

Em sala de aula, a temática da greve docente no contexto da UFVJM em 2016 foi compreendida pelo grupo de estudantes como um ponto de partida relevante, necessário para os próprios graduandos envolvidos compreenderem de modo mais aprofundado a conjuntura em que viviam. Em janeiro de 2017, chegavam à Diamantina os estudantes da Educação do Campo da UFVJM. Federal dos Vales, ao longo dos quais muito dos nossos estudantes moram. Mas também federal do Norte de Minas, do Vale do Rio Doce e de outros locais onde moram ou trabalham estudantes do curso. O motivo daquela chegada era, mais uma vez, o Tempo Universidade.

Aos menos acostumados com a terminologia e com os pressupostos da Educação do Campo e da Pedagogia da Alternância, vale uma breve contextualização. As Licenciaturas em Educação do Campo são cursos de graduação destinados a formar professores para o ensino médio e anos finais do ensino fundamental, com um currículo que dê o devido foco à realidade campesina e seus sujeitos. Há muito mais do que isso envolvido, na realidade, e fica a sugestão de se buscar mais referências em relação ao debate nacional da Educação do Campo. No Brasil, a implementação de tais licenciaturas em diversas universidades públicas se deu a partir do início desse novo século. Isso, basicamente, como resultado da atuação dos mais diversos movimentos populares do campo.

Uma das características que marcam a Educação do Campo nas Licenciaturas é a manutenção do “regime de alternância”, sistema já consagrado nas Escolas Famílias Agrícolas (EFA). Em termos gerais, pode-se dizer que o regime de alternância procura respeitar a sazonalidade do campo, as particularidades do território no qual o processo educativo se dá. Para tanto, as atividades são organizadas em duas situações formativas distintas: o Tempo Universidade (ou Tempo Escola em algumas universidades) e o Tempo Comunidade.

O Tempo Universidade (TU) é o momento em que o estudante vai ao espaço escolar, encontra-se em sala de aula com os professores e também com discentes de outras comunidades. É um momento em que os professores presencialmente abordam suas respectivas disciplinas, as discutem com os estudantes e propõem atividades diversas. Na LEC-UFVJM, esse período ocorre de modo concentrado em dois blocos de seis semanas consecutivas, com atividades diárias que totalizam geralmente a carga de oito horas. Cada um desses blocos tem seu início programado para início de janeiro e final de junho, respectivamente.

O Tempo Comunidade (TC) já é previsto para ocorrer no próprio contexto em que o estudante vive e atua profissionalmente. No calendário, esse período faz parte do ano letivo, as disciplinas ainda estão em aberto e ao discente são atribuídas parte de suas atividades a serem realizadas no e com o local. Esse período conta com visitas de professores da universidade a algumas comunidades, escolhidas estrategicamente pelas condições concretas de reunirem estudantes de regiões mais próximas. São os chamados núcleos de alternância.

Assim, nesse TU iniciado em janeiro de 2017, o cenário de chegada dos estudantes estava um tanto atribulado. A UFVJM estava vindo de uma greve docente, iniciada em 31/10/16. Ainda antes, secundaristas ocuparam uma escola tradicional da cidade de Diamantina. Estudantes universitários, por sua vez, ocuparam a reitoria da federal. E essas não eram situações isoladas, restritas à Diamantina ou à UFVJM. Inúmeras outras instituições públicas entraram em greve e tantas outras escolas haviam sido ocupadas no território nacional. Em 29 de novembro, uma manifestação nacional ocorreu em Brasília como forma de protestar contra a PEC 55 – proposta de emenda constitucional naquele momento em votação no Senado. Em dezembro de 2016, no entanto, optou-se em assembleia docente pelo término da greve. O reinício das aulas do calendário das outras graduações foi marcado para o dia 16 de janeiro. Essa decisão não afetava o calendário da LEC, previsto também em assembleia para ter o Tempo Universidade mantido, interpretado como atividade essencial da universidade.

Momentos como esses afetam muita gente, nem sempre do mesmo modo. Para os professores e estudantes da Educação do Campo, em específico, essa greve trouxe questões e debates particulares. Internamente, a assembleia docente precisou refletir sobre a condição da LEC. Do ponto de vista prático, o Tempo Universidade envolve um conjunto diferenciado de gastos para garantir a moradia dos estudantes e, parcialmente, a alimentação. Se as condições de uma graduação com calendário tradicional já é mais conhecida, previsível e, por isso, passível de ser posta em debate entre docentes, não ocorria o mesmo com a LEC e seu calendário. O comitê de ética da assembleia entendeu que, dadas as particularidades do curso, a coordenação internamente teria mais condições de avaliar o que seria atividade essencial ou não do curso. Diante desse posicionamento, o colegiado do curso assumiu que realizar o Tempo Universidade de janeiro era uma atividade essencial, principalmente por questões logísticas e financeiras ligadas a compromissos já estabelecidos. O restante das atividades do calendário foi suspenso.

Quando deflagrada a greve, vale ressaltar, os estudantes do curso não estavam na presença de professores, e sim em suas próprias comunidades. Longe da sede da UFVJM, longe de Diamantina, da possibilidade de acompanhar o debate de perto. As assembleias docentes, a ocupação dos estudantes, tudo era de difícil acesso. Era Tempo Comunidade do segundo semestre de 2016, com textos, trabalhos a serem entregues, muitos prazos de entrega perto de seu limite. Por escrito – ainda que por e-mail – toda comunicação vinda de professores da universidade poderia ser vista com caráter institucional, vinda de um servidor público. O que dizer ou não dentro desse local de fala? Condição que, junto com rumores de corte de ponto que circulavam na ocasião, pressionava a classe docente e dificultava o diálogo com os discentes do curso. A dita grande mídia, em um geral, não cobriu esse processo ou o fez de modo muito periférico. As redes sociais, os blogs e canais midiáticos digitais, alternativos, trouxeram grande parte da informação. Nem todos os estudantes da LEC, no entanto, tem como rotina informar-se a respeito de tais assuntos via redes sociais ou canais institucionais. Além disso, em tempos de pós-verdade, como não se perder em guerras de desinformação?

Quando os estudantes da LEC retomaram suas atividades na universidade, o restante das graduações já havia passado por outra greve da qual ainda não havia retornado. As salas de aula estavam vazias, preenchidas apenas pelo pessoal da Educação do Campo. No reencontro com os estudantes nas aulas de Leitura e Produção de Texto, muitos relataram a sensação de incerteza, dúvida, dificuldade de compreensão do momento de greve vivido. Em partes, uma das funções que o ativismo espera da greve é justamente a de interromper certos fluxos, certas rotinas, certas continuidades. Em um curso ainda em seu início, essa ruptura parece ter tomado dimensões ainda maiores. A partir desse quadro, dessa inquietação vivida no contexto da LEC-UFVJM e tematizada em sala de aula, o material aqui apresentado passou a ser pensado e confeccionado. E, nesse processo, percebeu-se não ser possível analisar apenas a greve docente ocorrida, de modo descontextualizado de toda a conjuntura local e nacional. Esse entendimento deu margem para a ampliação das investigações para assuntos correlatos, em geral vinculados à questão da educação enquanto política pública.

Composto por dez textos, produzidos por grupos de graduandos da Licenciatura em Educação do Campo, o presente dossiê procura contribuir com a memória desse momento específico e significativo para o grupo envolvido. Momento vivenciado tanto local quanto nacionalmente, em diferentes escalas, dentro e fora da universidade. O material procura trazer dados, informações, reflexões, olhares e vozes sobre a conjuntura vivida na ocasião. É um trabalho certamente incompleto, que esbarra no limite concreto de ser resultante de uma atividade de graduação realizada dentro das condições concretas e atribuladas que o espaço de uma disciplina oferece. E se, em tese, muitos outros lados poderiam ter sido consultados, outras reflexões poderiam ter sido realizadas, é de se ponderar que o próprio recorte das escolhas feitas pelos estudantes também é, em si, um texto. Texto esse que fez emergir um conjunto particular de perguntas ou reflexões sobre a conjuntura em questão, percebidas talvez como mais urgentes, talvez como mais viáveis de servirem de base concreta para este registro escrito.

Carlos Henrique Silva de Castro e Luiz Henrique Magnani – organizadores.

Graduandos da UFVJM promovem encontro sobre Educação do Campo em Ouro Verde de Minas – MG

Fruto das Práticas de Ensino dos licenciandos em Educação do Campo, encontro promoveu trocas de saberes entre estudantes e professores do ensino médio de escola estadual do município*.

 

 

Foi realizado, no dia 18 de outubro de 2016, na Escola Estadual Luzo Freitas de Araújo, um encontro de troca de saberes tematizando a Educação do Campo. A atividade ocorreu como parte da prática de ensino do polo de Ouro Verde de Minas da Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da UFJVM e consistiu na promoção de um encontro entre estudantes e educadores do turno vespertino do Ensino Médio. O Tema Gerador da atividade foi “EDUCAÇÃO DO CAMPO: DIALOGANDO E REFLETINDO SABERES”, porém desmembrado em dois subtemas: “Escola Rural x Escola do Campo: Resgate Histórico” e “Saberes do Campo: as Relações nas Comunidades, Espaço de Conquista (Escola – Universidade)”.

As práticas de ensino dos estudantes da LEC-UFVJM ocorrem a partir de dois encontros presenciais em um semestre. Durante o primeiro encontro, ficaram estabelecidas algumas comissões responsáveis pela articulação, planejamento e organização do evento, como por exemplo: infraestrutura, comunicação, mística, programação e debates.

No dia 18, já no segundo encontro, as comissões fizeram uma reunião presencial em Ouro Verde e, além de discutirem a realização do evento, organizaram as tarefas que haviam sido pensadas, como: exposição de imagens, impressão do material musical, montagem do equipamento de som e ensaio da mística.

Na parte da manhã do dia 19, houve uma reunião com a professora Dra. Noemi Campos, da LEC-UFVJM, e, na parte da tarde, às 13 horas, iniciou-se o evento.

Numa primeira etapa, definido como momento de acolhida, estudantes e professores(as) apresentaram-se e participaram de uma mística, a qual encenou o desenvolvimento de uma planta. Já em uma segunda etapa, os participantes observaram algumas imagens que provocaram diferentes olhares para a Educação do Campo e, inclusive, a conjuntura política atual. Na exposição havia uma sequência de imagens com os rostos de Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer, outras imagens representando ônibus escolares sucateados, escolas com infraestrutura precária, produções agrícolas dentre outras, e, posteriormente, introduziu-se alguns questionamentos e impressões a respeito da exposição.

As imagens selecionadas foram motivo de análise e reflexão no encontro

Estudantes da escola estadual participaram da exposição

 

No terceiro momento, aconteceram os debates dos dois subtemas que, de um modo geral, pontuaram, historicamente, a educação no Brasil e a superação do conceito de “escola rural”; discutiu-se elementos da educação contextualizada, considerando, principalmente, as identidades e a cultura campesina; destacou também, a luta pela educação de qualidade dentro dos movimentos sociais e, logo após, a socialização das discussões e, em seguida o encerramento.

Em roda, participantes realizaram debates e avaliação coletiva do encontro

 

A atividade conquistou a atenção e a participação de grande parte dos estudantes da escola. Nos depoimentos da socialização, percebeu-se a satisfação dos jovens em participarem de uma atividade diferenciada na escola. O grupo avaliou que mudar a rotina das aulas em sala é um fator positivo, expressando também que quer outros momentos assim.

J., 17 anos, estudante do 2º ano do Ensino Médio e morador da área urbana de Ouro Verde de Minas, declarou que a atividade problematizou o preconceito que muitos estudantes possuem em relação à maioria dos alunos da escola serem do campo.  O jovem contou que levou como aprendizado o entendimento de que todos são iguais em direitos e que os trabalhadores do campo são importantes para a sobrevivência dos moradores da cidade.

Estudantes da LEC-UFVJM participaram ativamente dos debates

O sentimento que perpassou a equipe de licenciandos da LEC foi de tarefa cumprida. A educadora em formação Josiany, 26 anos, vê nas práticas de ensino de seu curso “uma oportunidade de apresentar para as comunidades debates a respeito de determinados temas que, de alguma forma, dialogam com as diversas realidades rurais e que são problematizados dentro da LEC.” Para Josiany essas atividades representam “um momento de construção coletiva interligando a universidade e o campo”. Com relação ao encontro dos dias 18 e 19, a graduanda ainda considera que “representou um momento de grande aprendizado” e que “foi possível sentir a satisfação dos alunos em participar do evento. Foi uma oportunidade de compreender um pouco da Educação do Campo em um espaço político – a escola – e em meio a realidade política que estamos vivendo atualmente”.

Estudantes da LEC-UFVJM


 

 

 

*Por Neltinha Oliveira dos Santos, estudante do módulo VI da Licenciatura em Educação do Campo (LEC) – UFVJM.   

Encontro Mineiro de Pedagogia Waldorf discute o empoderamento de comunidades

Encontro ocorrido em São Gonçalo do Rio das Pedras (MG) promoveu vivências a partir de visitas à região*.

 

encontro-waldorf-6

 

Aconteceu em São Gonçalo do Rio das Pedras, em conjunto com a festa de Nossa Senhora do Rosário, a 5ª edição do Encontro de pedagogia Waldorf Mineiro neste feriado de 8 a 11 de outubro de 2016. Com o tema “A Trimembação Social: Bases para compreender, vivificar e empoderar comunidades” o encontro trouxe vivências a partir de visitas à região para conhecer a natureza, a cultura, alguns projetos e ações comunitárias.

Seminário Elaborando a prática do educador: casos da educação do campo da UFVJM

No dia 02/07/16, os estudantes do sexto módulo da Ciências da Natureza, orientados pelas professoras Ivana Lovo e Anielli Lemes, participaram no Auditório da Superintendência Regional de Ensino de Diamantina, do Seminário intitulado “Elaborando a prática do educador: casos da educação do campo da UFVJM. Este seminário teve como objetivo propiciar um momento de reflexão sobre o estágio da Licenciatura em Educação do Campo (LEC), a partir das realidades do estágio de observação no ensino fundamental e suas proposições para o estágio de regência das áreas de ciências da natureza (CN). Para isso tivemos a presença de profissionais da educação que debateram as propostas de estágio dos estudantes: Leila de Cássia Faria, Luciana Resende Allain, Leonardo Aparecido Soares, André Rodrigo Rech, Ofélia Ortega, Carolina Vanetti Ansani e Juliana Padula Villar. De acordo com o estudante do curso, Wanderson Teixeira, este foi um momento oportuno para cada um que participou do seminário, uma vez que todos estão vivenciando uma experiência de estágio em várias realidades, tornando-se importante o espaço para compartilhar com os colegas, professores e convidados, as experiências vividas. A proposta de dialogar a questão e a vivência do estágio é uma troca de experiência muito significativa. De acordo com ele, a estratégia de trabalhar em cima dos resultados obtidos do estágio é muito importante, pois se pensa, de forma coletiva, estratégias diferenciadas para um curso também diferenciado, como é o caso da LEC.