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OLHARES DO CAMPO – Laboratório de Comunicação Comunitária – LEC/UFVJM 3ª Edição do boletim informativo

Car@s leitores é com grande satisfação que divulgamos a 3ª edição do boletim Olhares do Campo.

Acesse na íntegra:

https://olharesdocampo.org/_files/200000243-73e9d74dff/boletim.pdf

OLHARES DO CAMPO é um laboratório de comunicação
comunitária vinculado minecraft modpureà Universidade Federal dos Vales
do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM – por meio de
aprovação no edital PROAE 10/2018. O projeto visa à
produção de textos jornalísticos por e para
comunidades campesinas. Você também microsoft office.torrent pode colaborar!tải ff support data
Quer saber como adobe master collection cs6 serial number list apoiar? Entre em contato pelo endereço
eletrônico: olharesdocampo@gmail.com

Boletim 2ª edição do Olhares do Campo

Olá a todas e todos!

Com grande satisfação, anunciamos mais uma edição do OLHARES DO CAMPO, o Boletim 2ª edição é dedicado às comunidades rurais de Minas Gerais, o qual pode ser acessado clicando aqui.

Saiba mais sobre o nosso projeto.

Acesse: www.olharesdocampo.org

O boletim é fruto de um projeto de ensino da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFJVM), aprovado no edital PROAE 10/2018 da PROGRAD. Configura-se como um laboratório de comunicação comunitária, com foco na produção de matérias jornalisticas por e para comunidades campesinas tanto para um boletim bimestral, quanto para o site olharesdocampo.org

Vamos fazer esse material circular? O formato do boletim foi pensado em especial para ser impresso e afixado em murais, em espaços públicos e de circulação, alcançando o máximo de leitores interessados. Como o projeto não é contemplado com verba para impressão, pede-se o apoio da comunidade para essa divulgação. Sugere-se que cada leitor possa fazer a impressão e a afixação de um exemplar em espaços como escolas, sindicatos, associações, comércios locais. Se você quer fazer a diferença, imprima o material e afixe em um local de sua comunidade que você sabe que terá circulação de pessoas! Se quiser tirar uma foto do material afixado na comunidade, envie para nós, informando também o local e a comunidade em que o material foi afixado.

As matérias também são divulgadas no facebook, através da seguinte fan-page do facebook: https://www.facebook.com/olharesdocampo/

Acesse e divulgue!

Mais sobre o projeto:

O projeto, vinculado à Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da universidade, conta com uma equipe de editores, revisores, consultores e redatores que operam de modo colaborativo no processo, tendo o próprio trabalho como princípio educativo. Assim, todos os envolvidos estão em contínuo processo de aprendizado. Nas pautas produzidas pelos estudantes do curso, abordamos temas como as eleições, o envolvimento da família nas escolas em Serro-MG, práticas altenativas de plantio na comunidade Pratinha (Ataleia) e sobre o papel da religião na região de Alto Rio Pardo. Isso, além de uma seção dedicada à popularização científica e troca de saberes. Neta edição, tematizamos elementos químicos presentes na produção de vinho e, mais que isso, ensinamos um processo tradicional de fabricação de vinho artesanal.

O processo também conta com colaboradores externos à universidade. Para essa edição, tivemos a participação de professores da Escola Estadual Pe. João Afonso, situada na comunidade de mesmo nome, em Itamarandiba. Enquanto a prof. Ivani e demais colegas assinam a matéria sobre a iniciativa de uma horta na escola como atividade educativa, a prof. Ângela Rita destaca a manifestação cívica e a luta por direitos ocorrida no dia da independência, em setembro. Também colabora para a edição de outubro Neltinha, educadora da Escola Família Agrícola de Veredinha (EFAV), relatando a experiência de sucesso da Semana Paulo Freire, ocorrida em setembro na escola.

Todos são bem-vindos para participar e somar ao projeto! Ainda precisamos de algumas formas de apoio. Em especial, parcerias de pessoas com expertise em diagramação e revisão de texto, além de apoio para impressão e envio da versão impressa do boletim. Estamos, ainda, abertos a novas parcerias e propostas de construção e apoio. Quer colaborar e não sabe como? Entre em contato pelo endereço: olharesdocampo@gmail.com. Agradecemos toda forma de colaboração!

Equipe Olhares do Campo

Estreia oficial da publicação OLHARES DO CAMPO

Olá a todas e todos!

Com grande satisfação, anunciamos a estreia oficial da publicação OLHARES DO CAMPO, boletim dedicado às comunidades rurais de Minas Gerais, o qual pode ser acessado clicando AQUI.

O boletim é fruto de um projeto de ensino da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFJVM), aprovado no edital PROAE 10/2018 da PROGRAD. Configura-se como um laboratório de comunicação comunitária, com foco na produção de matérias jornalisticas por e para comunidades campesinas tanto para um boletim bimestral, quanto para o site olharesdocampo.org

Vamos fazer esse material circular? O formato do boletim foi pensado em especial para ser impresso e afixado em murais, em espaços públicos e de circulação, alcançando o máximo de leitores interessados. Como o projeto não é contemplado com verba para impressão, pede-se o apoio da comunidade para essa divulgação. Sugere-se que cada leitor possa fazer a impressão e a afixação de um exemplar em espaços como escolas, sindicatos, associações, comércios locais. Se você quer fazer a diferença, imprima o material e afixe em um local de sua comunidade que você sabe que terá circulação de pessoas! Se quiser tirar uma foto do material afixado na comunidade, envie para nós, informando também o local e a comunidade em que o material foi afixado.

As matérias também são divulgadas no facebook, através da seguinte fan-page do facebook: https://www.facebook.com/olharesdocampo/

Acesse e divulgue!

Mais sobre o projeto:

O projeto, vinculado à Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da universidade, conta com uma equipe de editores, revisores, consultores e redatores que operam de modo colaborativo no processo, tendo o próprio trabalho como princípio educativo. Assim, todos os envolvidos estão em contínuo processo de aprendizado. Nas pautas produzidas pelos estudantes do curso, abordamos temas como as eleições, o envolvimento da família nas escolas em Serro-MG, práticas altenativas de plantio na comunidade Pratinha (Ataleia) e sobre o papel da religião na região de Alto Rio Pardo. Isso, além de uma seção dedicada à popularização científica e troca de saberes. Neta edição, tematizamos elementos químicos presentes na produção de vinho e, mais que isso, ensinamos um processo tradicional de fabricação de vinho artesanal.

O processo também conta com colaboradores externos à universidade. Para essa edição, tivemos a participação de professores da Escola Estadual Pe. João Afonso, situada na comunidade de mesmo nome, em Itamarandiba. Enquanto a prof. Ivani e demais colegas assinam a matéria sobre a iniciativa de uma horta na escola como atividade educativa, a prof. Ângela Rita destaca a manifestação cívica e a luta por direitos ocorrida no dia da independência, em setembro. Também colabora para a edição de outubro Neltinha, educadora da Escola Família Agrícola de Veredinha (EFAV), relatando a experiência de sucesso da Semana Paulo Freire, ocorrida em setembro na escola.

Todos são bem-vindos para participar e somar ao projeto! Ainda precisamos de algumas formas de apoio. Em especial, parcerias de pessoas com expertise em diagramação e revisão de texto, além de apoio para impressão e envio da versão avast internet security 2018 serial key impressa do boletim. Estamos, ainda, abertos a novas parcerias e propostas de construção e apoio. Quer serial movavi 17 colaborar e não sabe como? Entre em contato pelo endereço: olharesdocampo@gmail.com. Agradecemos toda forma de colaboração!

Equipe Olhares do Campo

Boletim Olhares do Campo. Edição piloto

Olá a todas e todos!

É com imenso prazer que a equipe do laboratório de comunicação comunitária Olhares do Campo anuncia a publicação da versão piloto de seu boletim. O material pode ser acessado aqui’ 

Olhares do Campo é um projeto de ensino centrado tanto no apoio à formação dos licenciandos em Educação do Campo (LEC) da UFJVM, quanto no fortalecimento de uma comunicação comunitária na região de abrangência desse curso. Dentro disso, o projeto – aprovado no edital do Programa de Apoio ao Ensino de Graduação – PROAE 10/2018, da Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD) da UFVJM) – visa à produção de textos jornalísticos por e para comunidades campesinas. A ideia é, por meio desse trabalho, articular e consolidar vínculos entre diferentes sujeitos vinculados atualmente à realidades do campo e da educação do campo no contexto de abrangência da LEC-UFVJM. Para tanto, conta com uma equipe vinculada à UFVJM, além de colaboradores externos, estando presente atualmente nas seguintes regiões do estado: Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas.

A edição que estamos anunciando é uma edição piloto, um ponto de partida para esse projeto que durará no mínimo um ano e contará, a partir de outubro, com boletins bimestrais e constantes atualizações no site olharesdocampo.org. O site também está em processo de montagem e finalização, mas já possui algum material. Entrem lá e confiram!

Existem inúmeras formas de colaborar. Um modo simples é ajudar da divulgação do projeto. Você pode divulgar o boletim, imprimir e colocar em locais estratégicos de sua região ou comunidade (escolas, associações etc). Você pode auxiliar com a divulgação do site do projeto. Você pode querer participar da produção de notícias ou da equipe de revisão dos materiais produzidos. Você pode gbwhatsapp télécharger auxiliar com a impressão de boletins, para podermos levá-los a locais em que ele não consegue chegar por meio de nossa equipe ou driveragent plus serial da internet. Enfim, como a proposta é construir coletivamente, outras sugestões, comentários e opiniões são bem-vindos. Para isso e para saber outras formas de apoiar, basta entrar em contato pelo endereço eletrônico: olharesdocampo@gmail.com

Equipe Olhares do Campo

Possibilidades atuais e futuras de mobilização e atuação social

Finalizando o dossiê Embates na Educação Pública em 2016, o texto a seguir, produzido por estudantes da LEC-UFVJM faz um mapeamento de possibilidades de mobilização na área da Educação a partir do cenário estabelecido atualmente no Brasil a partir do olhar de agentes sociais envolvidos com a temática como, por exemplo, educadores e gestores.


Possibilidades atuais e futuras de mobilização e atuação social

Gean Marcos Martins de Melo, Jonas Oliveira Santos, Samuel Lemes Pereira e Victor Cesário de Miranda.

Com a aprovação da PEC 55, antiga PEC 241, muitas escolas e universidades usaram greves e ocupações como instrumento de resistência. Para compreender essa situação a partir do olhar dos movimentos sociais e da educação, propusemo-nos a colher opiniões diversas a partir de um questionário com quatro perguntas e distribuído via e-mail para cinquenta e cinco pessoas ligadas a essas esferas. Obtivemos retorno dos seguintes sujeitos: uma professora da UFMG; um pesquisador científico da Embrapa Cerrados; três professores da Licenciatura em Educação do Campo da UFVJM; um estudante de mestrado na UNB e UFMG; uma pedagoga e integrante do Laboratório de Educação do Campo-UNIMONTES; uma professora, agricultora e estudante da UFMG; uma coordenadora de projetos sociais; uma professora de Educação Superior da UNIMONTES; uma estudante de Ciências da Vida e da Natureza (FaE-UFMG) e trabalhadora no campo; um estudante e monitor na EFA Camões Sem Peixe (MG); uma presidenta de associação de pequenos produtores rurais; uma professora pedagoga de ensino básico.

Todos os entrevistados trouxeram informações relevantes em relação ao que pensavam em relação ao quadro da educação no país na ocasião e como pensavam que esse quadro poderia estar futuramente. Essas opiniões foram pautadas pelo tema “Possibilidades Atuais e Futuras de Mobilização e Atuação Social”, proposto por nós. O levantamento pretende contribuir com o debate público sobre o tema, trazend argumentos e informações que podem ser objeto de reflexão e, inclusive, levados para órgãos públicos que discutam o tema abordado, quando se julgar necessário.

Questão 1: em relação as greves e ocupações acontecidas nas universidades federais e escolas de ensino básico de nosso país, como você percebe a atual situação vivenciada pelos discentes, docentes e servidores públicos que atuam nestes espaços?

Boa parte dos entrevistados abordaram situações semelhantes, apontando como negativas as consequências da implementação da PEC 55 e dos cortes de verbas nas instituições de ensino. Algumas pessoas consultadas também elogiaram a mobilização dos estudantes, recordando, especialmente no caso da UFVJM, que foram eles que tomaram iniciativas para que a greve ocorresse. Alguns entrevistados também destacaram que muitos outros estudantes e demais pessoas microsoft office 365 torrent download poderiam estar se posicionando do lado oposto, ou seja, contra a greve e outras formas de manifestação. Essa é a visão do monitor da EFA de Camões:

Podemos pensar em várias linhas, primeiro temos a situação do público que não aderiu à greve. Poderiam eles estar apenas submissos ou mesmo apoiando. A gente sabe que não é a realidade nossa, mas temos pessoas que apoiam essa mudança que está sendo imposta. Da mesma forma, há os estudantes que aderiram à greve, que ocuparam escolas, que ocuparam universidades, mostrando aí a força que o jovem tem. 

Por outro lado, temos também, a grande maioria dos jovens que não se pronunciaram. Agente pode colocar vários motivos: influência dos pais, pode ser falta de conhecimento, falta de opinião crítica e muitos outros motivos.

Pensando agora o servidor: professor, administrativo, serviços gerais e em geral. Sabemos quais as propostas o governo tem trazido para a gente. É triste pensar, mas é a realidade: temos, nesses espaços, funcionários que estão trabalhando há muito tempo e que apoiam essas mudanças. Fica difícil pensar a licencia para driver booster continuidade de uma educação pública e de qualidade. Parece que a ideia é realmente que não existam essas duas palavras juntas. Ou a educação seria pública, ou a educação seria de qualidade. Nessa perspectiva, já sabemos quem terá acesso a uma educação de qualidade.

O importante é nós, enquanto educandos, podermos pensar e agir, de forma diferente (…), procurando sempre o melhor para os nossos estudantes.

Dentro da mesma questão, muitos entrevistado se mostraram críticos à implementação da PEC. Conforme considera uma professora pedagoga de ensino básico entrevistada:

Com a aprovação da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, os recursos destinados a área da educação diminuirão significativamente, dificultando o cumprimento das metas estabelecidas no Plano Nacional da Educação. Isso afetará também os salários e as condições de trabalho dos servidores públicos, que ficarão congelados por 20 anos, gerando também a impossibilidade da realização de novos concursos públicos.

Questão 2:“Em relação a PEC 241 e a MP (Medida Provisória), como você descreve a situação da educação brasileira nos dias atuais?”.

A segunda questão coloca foco justamente na PEC e na MP do Ensino Médio. A pergunta estimulou as pessoas a analisarem a real e atual situação da educação no Brasil, muitas vezes considerada como ruim e tratada como defasada. Para alguns entrevistados, a educação, a partir dessas medidas, passaria a ser tratada como uma espécie de mercadoria, oferecendo melhores oportunidades para as classes burguesas. Outro entrevistado pontuou que o sistema educacional está desatualizado, sem nenhuma estratégia inteligente que permita um acesso real da parte da grande maioria da população brasileira e que isso significa um grande desrespeito a esses cidadãos. Magda Martins Macedo, professora da Unimontes, afirma que:

Os direitos dos profissionais da Educação são frágeis, inexistentes ou negados, as condições de trabalho tratadas como se fossem favores ou desnecessárias. Enfim, há um projeto claro e intencional para que a Educação Brasileira não alfabetize, não escolarize, não construa novos conhecimentos e assim, continuaremos com uma sociedade com baixa capacidade crítica e de compreensão dos contextos políticos e sociais.

Tudo isso, a PEC 241 e todo o desmonte do Estado de Direito que estamos presenciando, faz parte de um projeto de Brasil pensado e orquestrado por um grupo específico de empresários do agronegócio, da indústria, do capital financeiro, conectados entre si por uma lógica global de dominação política e visão economicista de mundo.

Neste sentido, percebe-se inclusive que os filhos dos agricultores familiares não foram levados em consideração para a construção de um país alfabetizado, já que, nesses casos, é considerada prioritária a voz dos poucos que representam grandes potências econômicas como, por exemplo, o setor do agronegócio.

Questão 3:“No seu ponto de vista, levando em consideração as greves ocorridas em várias universidades e escolas públicas, o que pode acontecer com a realidade futura da educação do Brasil nesses espaços?”

Em resposta a essa questão, quase todos os entrevistados projetaram situações desfavoráveis para a educação brasileira e para as universidades públicas. Algumas situações apresentadas foram: a necessidade de se lutar para resistir à opressão, a tendência de piorar o quadro educacional, o fortalecimento da rede privada, a educação do campo não ter seu valor reconhecido, o possível aumento de analfabetos. Vale ressaltar que a maioria das críticas foram voltadas para a possível privatização do ensino público. Para maior aprofundamento nessa discussão, podemos relacionar todas as respostas obtidas com a do professor da Licenciatura em Educação do Campo da UFVJM, André Rodrigo Rech:

Penso que há uma lógica privatizadora do ensino superior, que na verdade se insere em uma proposta maior de privatização do Estado. Essa tendência neoliberal fica evidente nas principais medidas tomadas pelo atual governo ilegitimamente conduzido ao poder. Acho então que se não houver um levante geral da sociedade que será potencialmente atingida pelos prejuízos da privatização do estado esta tendência continuará se fortalecendo. É preciso considerar que a situação do Brasil não é um movimento isolado neste contexto e pode-se perceber movimentos perigosamente antirrepublicanos como que está em curso nos EUA, na Turquia, na Síria, no Líbano, na Rússia ou na Coreia, para ficar com poucos exemplos. Em essência quem mais sofre com estas perspectivas conservadoras são aqueles que mais dependeriam do apoio do estado, ou seja, os mais pobres. Com relação ao futuro da educação, penso que na verdade podemos antecipar alguma consequência olhando para a situação do Brasil na década de 1990 quando políticas semelhantes estiveram em curso. Percebe-se o aumento da evasão estudantil e a diminuição dos incentivos a pesquisa e a extensão, os quais a médio prazo acabam por levar ao definhamento da função pública da universidade.

Para os entrevistados, a PEC 55, além de ser uma grande ameaça para a educação futura do Brasil, é também considerada como um desmotivador para as pessoas de baixa renda acessarem a saúde pública oferecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Projeta-se que parte desses direitos serão progressivamente privatizados, comprometendo o bem-estar pessoal e social de muitos sujeitos menos favorecidos. Com esta nova realidade, algumas pessoas consideraram que a nação brasileira poderá inclusive vir a sofrer um novo golpe, especulando que o Brasil poderá passar por uma ditadura militar em pleno século XXI.

Questão 4: Em seu ponto de vista, o que pode acontecer com a realidade futura da educação no seu município com a aprovação dessas novas medidas tomadas pelo atual governo que rege as leis de nosso país?

Um último objetivo da pesquisa foi compreender a realdade local dos entrevistados. Para tanto, a quarta pergunta colocou foco em prováveis impactos em nível municipal das mudanças em curso no país. Um dos entrevistados, que não quis se identificar, revela que:

No meu município a taxa de desemprego é alta. Os trabalhadores rurais ainda conseguem desenvolver a agricultura familiar e os jovens por algum tempo conseguem se manter no campo, porém quando terminam o ensino médio não têm mais expectativas e saem para a cidade e capital em busca de emprego. Um mínimo vai para a universidade. Na cidade o índice de violência e crime é preocupante, pois os delitos são cometidos por crianças e adolescentes em idade escolar, que deveriam estar em sala de aula. Porém, nem as autoridades, nem o poder público têm mais o domínio sobre a situação. Há esperança na atual gestão, porém com as atuais medidas do Governo a expectativa é de uma ação “remediada”, pois uma grande quantidade dos municípios tem a prefeitura sucateada e sem incentivo financeiro por parte do Governo Federal. Não houve e ainda não temos notícias de cursos gratuitos de capacitação para os professores.

Percebe-se o temor de os impactos na educação favorecerem a violência nos diversos municípios. Além disso, é possível perceber que sem acesso ao sistema educacional, muitos poderiam perder a oportunidade de adquirir um emprego de qualidade. Há um receio desse cenário resultar no crescimento do número de trabalho ilegal ou até mesmo dos índices de criminalidade. Muitas respostas divergem pontualmente, mas o sentimento de crítica e oposição tende a ser o mesmo nas diversas entrevistas. O que muitos visualizam para o momento são ações de resistência e conscientização, ou seja, levar para quem não conhece os detalhes e as projeções de especialistas sobre o que possivelmente ainda viverá o povo Brasileiro. Outro entrevistado que não quis se identificar trouxe o receio de uma educação sem reflexão crítica ganhar força, motivado, entre outros, pelas suspeitas de então, não confirmadas, de que disciplinas como Sociologia e Filosofia poderiam se tornar facultativas no ensino médio. Temia, assim, uma:

ausência de formação cidadã, na medida em que alguns conteúdos seriam optativos como sociologia, filosofia e outros. Ou seja, se já estamos com graves problemas sociais porque a educação não está em condições de ajudar a resolver estes problemas, imagine sem esta formação nas áreas das humanas.

A partir das respostas obtidas, somadas à nossa observação direta em meio a nosso convívio social, podemos perceber uma desmotivação em relação a atual situação da educação do país. Se as escolas existentes já não têm uma infraestrutura adequada, junta-se a isso o entendimento de que o governo irá investir ainda menos nessa área. Simplesmente não se vê um bom futuro para a educação pública com essas medidas e, para piorar, os que serão atingidos diretamente serão os mais pobres deste país. Conclui-se que a situação já não está boa e a tendência é de piorar ainda mais. Por estes motivos, é preciso que os movimentos sociais se articulem ainda mais, para juntos fazerem a diferença, buscando sensibilizar todos os atingidos direta ou indiretamente pelas decisões tomadas pelo atual governo.

Uma estudante da LEC-UFVM em Brasília: breve relato

 

Dando continuidade ao dossiêBaixakis “Embates da Educação Pública em 2016”, segue relato – produzido por estudantes da LEC-UFVJM – sobre a ida de uma estudante da LEC-UFVJM à manifestação do dia 29 de novembro de 2016 em Brasília.

 

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Uma estudante da LEC-UFVM em Brasília: breve relato

Adelza Higino; Ivani de Fatima A. Rodrigues; Juliana da Silva Moreira; Napolitânia Gonçalves da Silva

Traçando um breve contexto histórico do processo de construção da Educação do Campo, uma luta antiga, é possível compreender que a semente que a fez germinar surgiu da demanda de movimentos sociais pelo direito de uma educação de qualidade. Essa forma de educação, hoje mais consolidada, procura dar centralidade aos interesses dos campesinos a partir de uma pedagogia libertadora, voltada ao oprimido. É representativa a visão da Pedagogia do Oprimido a esse respeito. Para Medeiros (2014), a pedagogia freireana “no fundo é a pedagogia dos homens empenhando-se na luta por sua libertação”.

Considerando a trajetória da Educação do Campo, portanto, era de se esperar a adesão de parte de seus sujeitos em ação ocorrida no dia 29 de novembro de 2016, em Brasília, data em que o Senado discutia a votação da Proposta de Emenda constitucional 55 (PEC 55). Chamado de “Encontro Nacional das Ocupações”,Crackeado o evento foi organizado por meio de redes sociais. “Educação como Direito e não Mercadoria” foi um lema que marcou esse momento político. Além de ser contrária à PEC 55, que congela por 20 anos investimentos em saúde, educação e assistência social, a manifestação também era contra a MP 741, que propôs reformas ao ensino médio. O entendi

mento de muitos manifestantes e profissionais da educação era o de que as universidades, que ocupam importante papel no desenvolvimento social, cultural e humano do país, correriam o risco de ter sua autonomia fragilizada nesse contexto político.

No dia 25 de janeiro de 2017, conversamos com Graziele Aparecida de Jesus, que participou do evento. Na ocasião da entrevista, a estudante cursava o quinto período do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da UFVJM, na habilitação de Ciências da Natureza. Tal diálogo teve como proposta discutir e entender como foi o evento, especialmente a partir do olhar das Indir-FullLicenciaturas em Educação do Campo. Além da estudante, também estiveram lá docentes do curso, bem como outras pessoas da universidade.

Foto da manifestação registrada por celular.

Graziele relatou sobre aspectos de organização da manifestação e sobre motivos que levaram milhares de alunos, professores e representantes dos movimentos sociais a manifestarem seus interesses frente ao Congresso Nacional em Brasília. A professora em formação presenciou a audiência pública então ocorrida na Câmara dos Deputados. Testemunhou também a atuação da tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal. Segundo a estudante, no momento em que manifestantes se deslocaram para a frente do prédio do MEC, na tentativa de entregar uma carta com reivindicações da Educação do Campo para representantes do Ministério da Educação, sofreram repressões da parte dos policiais. As ações pacíficas de uma manifestação que reivindicava direitos teve bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral como resposta, o que dispersou manifestantes que buscavam seus direitos.

Esse relato condiz com a versão apresentada na ocasião pelo site Brasil de Fato, a qual constatou que parlamentares de oposição formaram uma comitiva para dialogar com os manifestantes, mas foram impedidos pela polícia de se aproximar. A esse respeito, segundo reportagem, chegou a sketchup pro 2018 crack ita afirmar ao site, com os olhos vermelhos em decorrência do gás lacrimogêneo, o deputado João Daniel:

Não tinha nem comando pra fazer uma negociação com a gente. (…) nunca vi uma agressão tamanha na frente da câmara, com cavalaria, com helicóptero, com muitas bombas de gás.

A respeito desses momentos vividos no dia da manifestação, Graziele relatou:

Tive participação ativa no movimento, onde grande parte das pessoas pôde expor seus interesses. Enfrentando o medo, [os manifestantes] partiram pra luta para entregar a carta. Dentre os componentes da massa, havia representante dos movimentos sociais

Além de narrar os acontecimentos relatados, a manifestante considerou o encontro riquíssimo em troca de experiências, um espaço para compreender melhor o cenário político de então e também conhecer pessoas de outras licenciaturas. Em sua visão, o que foi apresentado pelo governo vigente na ocasião, não era favorável para políticas públicas de acesso à universidade para o campesinato.

Em nossa leitura, sabendo que a Educação do Campo é fruto das lutas do movimentos sociais, a participação de professores e estudantes do curso nessa manifestação veio para reforçar a importância do trabalho coletivo e da união de interesses e ideias na transformação social. A esse respeito e em relação à luta dos sujeitos do campo, é interessante resgatar o olhar Karl Marx, quando afirma que “mudanças na sociedade ocorrem a partir da ebulição dos movimentos sociais contra o capital e o estado”

Referências:

Alexandre Medeiros. Pedagogia do Oprimido: Resenha Crítica. Disponível em: http://www.portalconscienciapolitica.com.br/products/pedagogia-do-oprimido-resenha-critica/

Cristiane Sampaio, Rute Pina e Lilian Campelo. Mobilização nacional que lotou Brasília contra PEC 55 foi sufocada pela PM. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2016/11/30/manifestantes-protestam-contra-pec-55-ato-em-brasilia-termina-em-repressao-policial/ acessado em 29/01/2017.

Rede Brasil Atual. “Movimentos sociais promovem ‘Ocupa Brasília’ nesta terça-feira’. Disponível em: http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/11/movimentos-sociais-promovem-ocupa-brasilia-nesta-terca-5842.html acessado em 29/01/2017.

“A Greve e a Lec”, em Embates da Educação Pública em 2016

Dando sequência ao dossiê Embates na Publicação Pública em 2016, segue abaixo mais um texto do material. Produzido por estudantes da LEC-UFVJM, “A greve e a LEC-UFVJM” focaliza em suas reflexões as particularidades de uma Licenciatura em Educação do Campo no contexto de uma greve docente a partir da situação específica vivida no contexto da UFVJM.

 

 

 

A greve e a LEC-UFVJM

Alessandra Gomes Rodrigues, Emanuela Raymunda de Souza Miranda, Iarla Pereira dos Santos, Valdineia Pereira dos Santos e Vitor Moreira dos Santos.

 

 

O ano de 2016 foi marcante para o Brasil pelos momentos críticos vividos na esfera política. Além da alteração na presidência ocorrida como resultado de um impeachment, houve mudanças que desagradaram muitos brasileiros, como a Medida Provisória (MP) 746 e a Proposta de Ementa à Constituição (PEC) 55. Para Carlos Leonardo Cunha (2016), essa última, apresentada como uma solução para o país sair da crise, tem como um dos focos o congelamento de gastos nas áreas da previdência, saúde e educação durante 20 anos. Já a MP 746 vem com o intuito de fazer uma reforma no ensino médio e, entre outras propostas, torna o ensino de Espanhol facultativo, além aumentar a carga horária de ensino, apostar no tempo integral e possibilitar que o ensino médio seja profissionalizante.

A partir desse cenário, várias instituições de ensino, incluindo as universidades federais, resolveram se mobilizar para impedir a aprovação dessas medidas. Particularmente, os docentes da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em assembleia no dia 31 de outubro de 2016, decidiram entrar em greve por dois motivos principais: a tramitação da PEC 241 – que, no Senado, passou a ser a PEC 55 – e as pactuações não cumpridas do MEC em relação à UFVJM. A partir da greve dos docentes da UFVJM e da situação crítica em que o país se encontrava, os discentes do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) resolveram se mobilizar e apoiar a greve, buscando fortalecer a luta contra a aprovação das medidas que, do ponto de vista dos estudantes, só iriam prejudicar o ensino no Brasil.

A greve docente impactou o curso de Licenciatura em Educação do Campo de um modo específico, diferente das outras graduações da UFVJM. Os representantes dos estudantes desse curso chegaram a enviar uma carta de apoio à greve e estavam dispostos a manter a postura de paralisação das atividades firmada por eles, porém não foi suspenso o calendário acadêmico específico da LEC. Como resultado de decisão em assembleia docente geral, decidiu-se que apenas algumas atividades do curso seriam paralisadas. A greve da universidade foi finalizada no dia 14 de dezembro de 2016, antes mesmo de iniciar o período de Tempo Universidade (TU) da LEC, o qual consiste principalmente em um período intensivo de aulas presenciais no Campus de Diamantina para os estudantes do curso. Durante o período em que ocorreu a greve, os demais cursos tinham o apoio de muitos dos discentes da LEC, que acreditam que se é unindo forças que se chega a conquistar algo, e que é através de lutas que se pode chegar a uma vitória.

Como a LEC se posicionou diante da greve?

Diante de todo esse cenário da greve, optamos por buscar informações com diversos sujeitos da LEC, tais como docentes, estudantes, representantes da coordenação e do colegiado do curso. A partir disso, procuramos entender esse momento de paralisação momentânea dentro da UFVJM.

De início, é importante ressaltar que a greve não foi um movimento realizado no interior da LEC, mas sim algo dos docentes e discentes da universidade. O objetivo maior de qualquer mobilização é que as pessoas sejam movidas a refletir e lutar pela garantia de direitos. Neste sentido, houve um grande avanço na UFVJM. A LEC, por exemplo, foi citada e debatida várias vezes nas assembleias docentes, o que fortalece o curso institucionalmente, na medida que mais docentes o conhecem. O coordenador da LEC na ocasião, André Rodrigo Rech, acredita que houve ganho também na inserção da universidade na realidade diamantinense, pois os professores, especialmente os que estavam no comando de greve, visitaram bairros da cidade e apresentaram as consequências da PEC e da MP do ensino médio às populações periféricas de Diamantina.

Outro ponto a se destacar é que o movimento paredista não foi unânime entre os docentes da LEC: cinco professores dos doze em exercício no curso manifestaram a não adesão ao movimento. Com os estudantes, a realidade foi um pouco diferente. Apesar de informarem que não entregariam os trabalhos, não declararam oficialmente à coordenação que estavam em greve. Além disso, os discentes da LEC aderiram à paralisação bem depois que outros estudantes já haviam paralisado suas atividades e ocupado prédios da universidade, como a reitoria. Mesmo com este cenário de adesão parcial, as atividades do curso foram impactadas. O comitê de ética da universidade decidiu que o próprio curso deveria informar quais atividades eram vistas como essenciais. Em resposta, o colegiado do curso, em reunião, definiu como essencial de se manter durante a greve apenas o Tempo Universidade de janeiro e as atividades inerentes a ele.

Para Maiara Alcântara de Oliveira, representante discente no colegiado do curso, ter apoiado a greve a partir desse local institucional foi importante como forma de incentivar os demais alunos na busca por seus direitos. Porém, ela sentiu falta da atuação dos movimentos sociais, que historicamente ajudaram na construção da Licenciatura em Educação do Campo na UFJVM. Ressaltou que o curso em si surgiu através de luta e mobilização como uma forma de alcançar direitos. De certa forma, para ela, não houve greve dos discentes na LEC, considerando que os estudantes não tiveram uma atuação significativa no processo. Mas também ressaltou que houve a participação de estudantes em mobilizações ocorridas em algumas comunidades e mesmo na cidade de Diamantina.

Para ela, os discentes do curso precisariam de uma maior organização para, de fato, lutar por demandas coletivas no colegiado do curso. Apontou como um ponto de insatisfação nesse processo a falta de esclarecimentos, por parte de docentes e demais sujeitos da universidade, sobre a mobilização aos estudantes da LEC – que moram, em sua maioria, nas mais diversas comunidades rurais de Minas Gerais, portanto afastados de Diamantina e das discussões presenciais sobre a greve. Ponderou, ainda, que os alunos não devem esperar decisões do corpo docente para ter alguma iniciativa. Em grande parte dos casos, as informações sobre a paralisação teriam chegado a ela e a muitos estudantes por meio de redes sociais e sites na internet.

Do ponto de vista administrativo, no entanto, um período de greve é sempre danoso na medida em que se sobrecarrega funções como a de coordenação de curso e se prejudicam todos os planejamentos previstos no calendário acadêmico. Levando em conta que a coordenação, enquanto órgão institucional, não se mobiliza, os coordenadores em exercício na ocasião, apoiadores da greve, chegaram a colocar seu cargo à disposição. Afinal, o docente que está na coordenação só pode paralisar as atividades relativas a essa função se solicitar a saída do cargo. O próprio colegiado do curso, no entanto, em diálogo e concordância com os coordenadores, entendeu que a manutenção da coordenação no cargo seria o melhor para o momento. Então pode-se dizer que a coordenação não aderiu ao movimento grevista, mas foi atingida pelo mesmo.

Quais os posicionamentos de alunos da LEC diante da greve?

Se parte dos alunos da UFVJM tiveram papel central no fortalecimento da greve, também é verdade que muitos podem não ter entendido satisfatoriamente o contexto no qual estavam inseridos. No contexto específico da LEC, procuramos entender, por meio de entrevistas semiestruturadas, se os estudantes se sentiram inseridos nesse momento e como eles enxergaram a greve dentro do curso.

Williasmar de Sousa Silva possui 20 anos de idade, reside na comunidade Padre João Afonso, e está no 5° módulo na área de ciências da natureza do curso da LEC. Foi apoiador da greve na UFVJM. Por morar longe de Diamantina, não acompanhou presencialmente as discussões na UFVJM, obtendo informações através das redes sociais. Como não pôde comparecer nas reuniões ocorridas na sede da universidade, realizou junto a outros estudantes da LEC mobilizações e manifestações pacíficas em sua região como atividade do programa institucional PIBID-Diversidade, do qual participa. Assim, pôde discutir em uma escola de Itamarandiba-MG as ações do governo Temer e as possíveis consequências das medidas em tramitação no período. Já Mateus Felipe, estudante do terceiro semestre do curso, aponta que não ficou sabendo ao certo, na ocasião, os motivos que levaram à greve. Devido à distância de sua moradia em relação à Diamantina, o acesso à informação se deu através de redes sociais e e-mails, o que não teria sido suficiente para acompanhar o debate. Entende que, por este motivo, não houve mobilizações e nem discussões acerca do tema em sua comunidade.

A aluna Valdeci Raimunda, moradora da comunidade Medanha, distrito de Diamantina e estudante da LEC do módulo III, entende que a LEC entrou em greve por acompanhar a decisão de paralisação da própria UFVJM. Como sua comunidade é distrito de Diamantina, a estudante acompanhou o debate de perto. Além disso, convidou uma professora da universidade para realizar uma palestra em uma escola de sua comunidade sobre as razões da greve. Valdeci foi uma das poucas estudantes da LEC que teve a oportunidade de participar ativamente nas mobilizações na cidade de Diamantina, participando dos diversos eventos em prol da greve. Para a discente, a greve nunca é boa, queria ela que os direitos fossem respeitados para que não fosse necessário interromper os estudos dos alunos. Entretanto, diante do cenário político apresentado, a estudante defende que só restava lutar e se mobilizar.

Nosso balanço: prós e contras da greve no contexto da LEC

Pontos positivos

Pontos negativos

Atuação do movimento estudantil reconhecida pela UFVJM.

Falta de comunicação entre os alunos e docentes da UFVJM.

Participação de docentes da LEC na greve.

Calendário acadêmico da LEC prejudicado.

A importância de discussões para o fortalecimento da consciência política.

Perderam-se algumas atividades de retorno das disciplinas.

Maior entendimento levado às comunidades dos alunos da LEC que realizaram mobilizações.

Não houve um tempo para os docentes planejarem atividades extras para o TU.

Reivindicação dos diretos e deveres dos cidadãos.

Discussões importantes do curso foram paralisadas (moradia, alimentação, projeto político-pedagógico).

O que se percebeu do cenário posto é que há um longo caminho de lutas pela frente. E quem decide pelo compromisso por uma sociedade minimamente digna e justa tem o dever de se organizar para a luta contra todas as formas de precarização dos serviços públicos e contra todas as formas de retirada de direitos.

Referências bibliográficas

CUNHA, Carlos Leonardo. Artigo: A PEC 55/2016 (PEC 241/2016): ecos e reflexos para a Enfermagem Brasileira. Diponível em: < http://www.corenma.gov.br/2015/artigo-a-pec-552016-pec-2412016-ecos-e-reflexos-para-a-enfermagem-brasileira/ >. Acesso em: 18 de julho de 2017.

A greve da UFVJM sob os olhos do comércio local de Diamantina

Dando continuidade à publicação do dossiê Embates na Educação Pública em 2016, segue abaixo o antepenúltimo texto do material. Produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, consiste em uma reflexão sobre possíveis impactos da greve docente de 2016 da UFVJM na economia do município.

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A greve da UFVJM sob os olhos do comércio local de Diamantina

Maria Natiele, Sabrina Lemes, Sandra Silva, Talita Tamires, Yasmin Barros

Disponível em: https://www.google.com.br. Acesso em 31/01/2017.

Diamantina é um polo econômico altamente relevante de sua região, sendo sede da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), fundada por Juscelino Kubitschek. Atualmente sua população se tornou uma mescla de cidadãos diamantinenses, servidores públicos e estudantes universitários de todos os estados do Brasil. A cidade é muito conhecida pelas belezas naturais e históricas. Localiza-se em Minas Gerais, no Vale do Jequitinhonha, também conhecido por alguns como “vale da miséria”. Vale ressaltar, no entanto, que a situação econômica e social local que deu esse título à região tem mudado. Em particular, a instituição, desde sua fundação, tem contribuído para provocar mudanças sociais, econômicas e culturais em seu entorno.

Para alguns Diamantinenses, ser sede da UFVJM é um fator muito positivo, porém outras pessoas não veem isso com os mesmos olhos. De todo modo, uma instituição desse porte traz muito dinheiro para a cidade, diretos e indiretos. Com os novos cursos, por exemplo, vêm novos estudantes, que têm gastos estudantis e pessoais com: alimentação, hospedagem, roupa, etc. É inegável, portanto, o papel dos estudantes no fortalecimento e na movimentação do comércio. E, nessa lógica, quem lucra é a economia da cidade. Nesse sentido, vale observar o que afirma Marcos Lobato (2016), professor da universidade:

É a UFVJM […] que provocou boa fração do crescimento do setor de serviços (57,4% no período 2005-2009) e nas movimentações financeiras na cidade (22,14% a. a nas operações de crédito; 14,03% a. a. nos depósitos de pessoas físicas; e 8,24%a. a em financiamentos imobiliários). Foi a universidade que atraiu para a cidade muitos jovens (na faixa etária de 20 a 29 anos, entre os anos 2000 e 2010, registrou-se crescimento de 20%, contra apenas 3% de aumento da população total). Enfim, é graças à UFVJM que, desde 2005, Diamantina ainda se mantém como a principal economia do Vale do Jequitinhonha. E como o polo educacional e cultural mais destacado do nordeste mineiro. (LOBATO 2016).

Em geral, Lobato traz a relevância da universidade como argumento favorável a uma postura de oposição da cidade e de seus moradores em relação “às medidas do governo Temer em nome do ajuste fiscal”. Mas essa não é uma visão unânime. No editorial de 22 de outubro de 2016, intitulado “A preocupante ocupação e o descabido fechamento do Campus II da UFVJM”, o jornal Voz de Diamantina relata a insatisfação com a greve, afirmando que esta não traria ganho algum para a cidade.

Para compreender melhor o modo como os moradores locais, em especial os trabalhadores do comércio, enxergam o papel da UFVJM na economia local e, por consequência, o impacto de uma greve na cidade, optamos por realizar entrevistas semiestruturadas com diversos sujeitos na região central da cidade. Em geral, os entrevistados pela nossa equipe não quiseram se identificar. As análises que se seguem, então, trazem alguns dados a respeito dessas entrevistas e diálogos, embora, muitas vezes, não seja possível a identificação dos sujeitos envolvidos. Essa proposta é análoga a um trabalho realizado pelo blog ‘Foca no Ponto’, administrado por estudantes de comunicação social da Universidade Federal de São João del-Rey. Em reportagem publicada 9 de outubro de 2012, intitulada “O Impacto da greve na economia local”, o blog analisa a situação de São João del-Rei em um período de greve da universidade federal local, apontando que o setor estudantil era uma parte responsável por movimentar a economia da cidade universitária.

Ao iniciarmos as entrevistas sobre os impactos da greve no comércio, enfrentamos diversas dificuldades. Muitos comerciantes não quiseram nos atender e outros não demonstraram interesse pelo assunto. O que se refletiu diante desse fato, é que os principais beneficiados pela existência da UFVJM em Diamantina nem sempre procuravam saber o verdadeiro motivo do acontecimento da greve e, além disso, costumavam encarar o fato como negativo. Em nosso olhar, isso se deve, em partes, pela falta de informação a respeito do assunto. Em diálogo com muitos comerciantes, um lado positivo da greve só passou a ser considerado quando se colocou em contraposição um cenário de fechamento da universidade ou da diminuição de investimentos na mesma. Ainda assim, a tendência do comércio foi a de a não reconhecer a greve como algo legítimo. Houve alegações, por exemplo, de que a maioria dos grevistas não sabem os motivos da paralisação nem chegaram a ler sobre a PEC e a MP.

Os discursos acima demonstram que os sujeitos atuantes no comércio local não traziam a leitura de que as atuais medidas do governo podem trazer impactos negativos para a economia da cidade. Porém, ao colocarmos em discussão algumas informações sobre o assunto, muitos demonstravam ponderar o outro lado. Além disso, as falas não foram unânimes em termos do impacto sentido no período de greve. Para o gerente de uma loja, por exemplo, não houve “muitas perdas e nem quedas nas vendas, pois os moradores e turistas não deixaram de fazer compras”. Já para o vendedor de outra, “teve queda sim. Na verdade, não podemos ficar expondo nem revelando certas informações para não expormos a loja, é complicado. A greve abalou muito todo comércio da cidade e, mesmo que não falem, o baque foi muito grande”.

A partir de nossa sondagem e da sistematização das informações obtidas, pudemos perceber que os impactos da greve foram notados no comércio imobiliário, alimentício e de transporte público, áreas do comércio mais utilizadas pelos estudantes. Em alguns supermercados, alegou-se haver queda de vendas em aproximadamente 25% dos alimentos instantâneos. Para trabalhadores das imobiliárias locais e pessoas autônomas do setor de aluguel de imóveis, a paralisação soou como negativa pelo prejuízo relacionado à perda de seus inquilinos.

Entendemos que um dos motivos que pressionou o fim da greve foi justamente a insatisfação e contraposição dos comerciantes em relação a ela. Entende-se que para manter um movimento como este é preciso apoio, paciência, coletividade e objetivo. Diante disso, é significativo considerar que, ainda que a greve faça-se negativa aos olhos do comércio, a paralisação da universidade foi uma forma de intervir pela economia mesmo que de forma indireta. Esse posicionamento é defendido pelo professor Marcos Lobato em seu texto. Nesse contexto, o acadêmico lembra que foi a UFVJM que ajudou a superar o momento econômico que se seguiu após o enfraquecimento do garimpo de diamantes na cidade.

(…) Progressivamente, Diamantina virou uma cidade de servidores públicos. Foi graças a isso que a cidade resistiu, sem maiores traumas, ao fim do secular garimpo de diamantes. Hoje, a vida econômica, social e cultural de Diamantina fica quase inteiramente à mercê do funcionamento dos órgãos estaduais e federais aqui sediados.

Em nossa leitura, os participantes da greve lutaram por objetivos abrangentes, por direitos que, se mantidos, assegurariam o bem-estar de todos os cidadãos. A forma de oposição encontrada nas falas de comerciantes locais trouxe a impressão do desejo de conquistas sociais e mesmo de uma situação econômica local favorável, sem no entanto valorizar uma luta organizada para isso. Nesse sentido, é importante retomar a carta de Marcos Lobato, mostrando como a PEC atinge o futuro de Diamantina, com os cortes na educação e na saúde.

É de suma importância que todas as áreas envolvidas de forma direta ou indireta saibam corretamente os motivos internos da greve. Quando isso não acontece, podemos nos deparar com uma realidade onde pessoas com interesses comuns travam batalhas entre si e deixam que a luta principal perca o foco. Em ocasiões como essa seria muito benéfico, portanto, pensar em novas estratégias para conscientizar os comerciantes e toda a população local por meio de cartazes, redes sociais, panfletos e palestras. Isso, com o intuito de compreenderem corretamente os motivos internos da greve e desconstruírem uma imagem estereotipada de que universitários, principalmente grevistas, são baderneiros.

Disponível em: https://www.google.com.br. Acesso em 31/01/2017.

Referencias:

MARTINS, M, L. Diamantina assistirá calada a destruição da saúde pública. UFVJM. Diamantina, 24 de outubro de 2016.

OLIVEIRA, P, R. Impactos no comércio alimentício. Entrevista concedida a Talita Tamires. Em 29 /01/2017.

VARGINHA, C.; MACHADO, L. O impacto da greve na economia local. São João Del Rei; 9 de outubro de 2012. Disponível em: http//http://focanoponto.blogspot.com.br/2012/10/o-impacto-da-greve-na-economia-local.html. Acesso em: 30/01/2017.

O Movimento Estudantil e a greve da UFVJM em 2016

 

 

Dando continuidade à publicação do dossiê Embates na Publicação Pública em 2016, segue abaixo o quarto texto do material. Produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, consiste em uma análise da participação do Movimento Estudantil na greve docente de 2016, com foco na realidade da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri – UFVJM.

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O Movimento Estudantil e a greve da UFVJM em 2016

Jéssica Emanuely Vieira, Magno Santos Ferreira, Manoel Macedo Martins, Mateus Felipe Oliveira Santos e Vinícius Lima Cardoso

No centro de Diamantina, estudantes e servidores da UFVJM mobilizados contra a PEC 241. Fonte: UNE 2016.

Insatisfeitos com as crises política e econômica do Brasil pós-2014, universitários e secundaristas de Diamantina-MG saíram às ruas em 2016 como forma de manifestar sua inquietação. Os principais alvos seriam as decisões tomadas por governantes em relação à educação brasileira, como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241/2016 (que no senado se tornou a PEC 55/2016) e as reformas para o ensino médio impostas pela Medida Provisória (MP) 746/2016. Tais medidas desencadearam várias mobilizações em vários estados brasileiros. Particularmente, a greve docente da UFVJM teve início em 31 de outubro de 2016. Devido a inúmeras questões, alguns professores não eram a favor da greve e, só com o cancelamento do calendário, é que foram paradas muitas atividades de graduação na instituição. O principal intuito do movimento estudantil nesse contexto foi reivindicar a manutenção dos direitos dos estudantes. No meio de tanta luta, a greve só foi finalizada em janeiro de 2017.

Os dados obtidos para a produção deste texto foram produzidos a partir de conversas com membros do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), com alguns secundaristas membros do grêmio estudantil da Escola Estadual Professora Ayna Tôrres, popularmente conhecida por Polivalente, e de textos de movimento estudantil, como o do DCE da Universidade Federal de Uberlância (UFU). O processo foi bem produtivo, pois promoveu a interação entre membros do DCE da UFVJM, que também ocuparam a universidade, secundaristas de Diamantina e estudantes do curso de Licenciatura em Educação do Campo (LEC) da mesma universidade. Isso, sem contar com os outros pensamentos de movimentos estudantis utilizados como referência. E, para além do relato dos acontecimentos dos quais participaram os estudantes nesse processo, o diálogo realizado procurou levantar opiniões e análises diante das manifestações ocorridas.

Conforme o que foi relatado, o apoio dos secundaristas foi de suma importância para o desenvolvimento de todo o processo. Não por acaso o Polivalente, escola tradicional e extremamente conservadora de Diamantina, foi a terceira escola a ser ocupada em Minas Gerais e a primeira do município. O movimento, em todo o Brasil, chegou a mobilizar 1345 escolas. No entanto, segundo os secundaristas, a Secretaria de Estadual de Ensino tentava deslegitimar o movimento alegando que só alimentava a repressão. Mas os secundaristas resistiram e a partir de reuniões com seus pais, que até então não apoiavam as ocupações, por falta de informação e receio pelas críticas e denúncias da própria administração da escola, que acabaram por apoiar o movimento. Com o apoio conquistado, autorizaram seus filhos menores de idade a permanecerem na ocupação e passaram a contribuir ativamente durante o resto do processo.

A UFVJM de Diamantina, por sua vez, foi a primeira federal que teve sua reitoria ocupada no estado. Do ponto de vista da organização dos estudantes, optou-se por criar uma comissão específica com os manifestantes para dialogar com a reitoria em vez de colocar o DCE à frente desse papel. Essa medida seria uma forma de prevenção contra possíveis retaliações da universidade em relação à ocupação estudantil. No princípio da ocupação, ainda era permitida a entrada de funcionários no local, o que mudou em seguida, quando os estudantes resolveram isolar todo o setor. Na visão de estudantes envolvidos no processo, o principal obstáculo enfrentado foi a repressão que a todo o momento o movimento sofria, o que causava certo clima de tensão e acarretava brigas internas.

Em 29 de novembro, dia de votação em primeiro turno da PEC 55 no senado, alguns discentes, em linha com o histórico de luta do movimento estudantil, foram para Brasília protestar contra a aprovação da ementa e testemunharam ter sofrido muita repressão. Lá, a luta dos estudantes foi percebida como tendo um objetivo maior. Seria uma luta por todos, mas sem deixar de olhas o contexto social dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, onde a UFVJM tem por função trazer desenvolvimento para uma região que historicamente foi esquecida.

Um dos grandes questionamentos que se colocou em pauta nos diálogos com integrantes do movimento de ocupação era se greve ainda era a melhor e mais eficiente maneira de se reivindicar. Em resposta, afirmaram que a greve é um período de construção de conhecimentos que cria um ambiente mais forte para os discentes a partir da experiência política e dialógica.

Nesse sentido, é interessante notar que os movimentos estudantis possuem uma longa trajetória de luta na busca de melhorias na educação nacional. Segundo o Movimento Estudantil UFVJM (2009)1:

O movimento estudantil é o produto social e a expressão política das tensões latentes e difusas na sociedade. Sua ação histórica e sociológica tem sido a de absorver e radicalizar tais tensões. Em setembro de 1980, mobiliza cerca de um milhão de estudantes, numa greve geral de três dias, exigindo a anistia (ampla, geral e irrestrita) dos exilados e presos políticos, e em 1981, 400 mil estudantes realizam greve nacional diante da recusa do então Ministério da Educação e Cultura (MEC), em atender as reivindicações propostas pelos estudantes

A esse respeito, também pondera Mesquita (2003) que:

o movimento estudantil em geral foi bastante ativo e marcou, definitivamente, no século passado, sua presença no cenário político latino-americano. No Brasil, sua trajetória de certa forma remonta grandes momentos históricos, bem como, os principais fóruns e debates acerca da educação e dos modelos de universidade. Além disso, conseguiu, por algum tempo, ser o ator social de maior força e organização, atraindo outros grupos e movimentos sociais. (p. 117, 2003).

De acordo, ainda, com Markun2:

Em 1710 foram os jovens estudantes de conventos e colégios religiosos que enfrentaram a invasão francesa no Rio de Janeiro. Havia estudantes na inconfidência mineira, na campanha da abolição e na república.

Diante de tal histórico, fica evidente o quanto os movimentos estudantis foram importantes e participativos na construção social e política do nosso país. No entanto, ainda existem posicionamentos que vão contra a esse direito de reivindicação estudantil por meio da greve. Esse assunto foi abordado pelo DCE da UFU já em 2012, quando o coletivo apontou que: “mesmo após o reconhecimento da greve discente e repúdio aos atos que visem a sua limitação, ainda continua[ra]m a ocorrer atitudes arbitrárias, visando impedir o exercício desse direito estudantil”.

Aliás, um dos objetos de crítica dos estudantes na greve e nas ocupações de 2006 em Diamantina foi a postura da imprensa de um modo geral. Reiterando um histórico de estigmatizar na maioria das vezes os movimentos estudantis, a mídia procurou distorcer o real sentido das mobilizações. A visão apresentada pelos estudantes foi a de que, por serem organizações privadas, as corporações midiáticas representam interesses específicos que, inúmeras vezes, não condizem com os interesses da população.

Outro fator prejudicial às demandas do Movimento Estudantil da UFVJM, ainda em construção, foi a comparação com outras universidades já consolidadas. Olhando por esse lado, a UFMG, por exemplo, tem forças de atuação e vínculos com instituições tanto públicas quanto privadas, não tendo necessariamente a mesma preocupação com os cortes sugeridos pelas emendas e reformas do governo do que as universidades que estão em processo de formação e fortalecimento. A avaliação feita é que isso deveria ser motivo para maior mobilização por parte dos estudantes e funcionários de universidades novas como a UFVJM.

Em suma, podemos perceber que, assim como ocorreu ao longo da história, o movimento estudantil se mostrou presente com o intuito de defender e garantir direitos de estudantes e também de outros grupos, mesmo que convivendo com variadas formas de repressão. O cenário até hoje não é diferente. Diante disso, devemos legitimar o valor desse movimento e a força que ele tem.

Referências

DIRETÓRIO Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Direitos da greve discente. 2012. Disponível em: https://dceufu.wordpress.com/2012/05/28/direitos-da-greve-discente/. Acesso em: 26/01/2017.

ESTUDANTES que fazem História. Blog do Movimento Estudantil da UFVJM. Disponível em: http://cmeufvjm.blogspot.com.br/2009/10/estudantes-que-fazem-historia.html. Acesso em 29/01/2017.

MARKUN, Paulo. Movimento Estudantil. Disponível em: http://www.bradoretumbante.org.br/historia/movimento-estudantil. Acesso em: 28/01/2017.

MESQUITA, Marcos Ribeiro. Movimento estudantil brasileiro: práticas militantes na ótica dos Novos Movimentos Sociais. Revista Crítica de Ciências Sociais, n. 66, out./2003. Disponível em: https://rccs.revues.org/1151#authors. Acesso em: 27/01/2017.

UNE Notícias. Imagem. 2016. Disponível em: http://www.une.org.br/noticias/movimento-estudantil-presente-universidades-param-contra-pec-241/. Acesso em: 26/01/2016.

1 Em Blog do Movimento Estudantil da UFVJM, acessado em: 29/01/2017. http://cmeufvjm.blogspot.com.br/2009/10/estudantes-que-fazem-historia.html.

2 Em seu Blog, disponível em < http://www.bradoretumbante.org.br/historia/movimento-estudantil>. Acessado em: 28/01/2017.

Embates na Educação Pública em 2016: Ocupações nos espaços da UFVJM e do Colégio Prof. Ayna Torres

 

 

Dando continuidade à publicação do dossiê Embates na Publicação Pública em 2016, segue abaixo mais um texto do material: Ocupações nos espaços da UFVJM e do Colégio Prof. Ayna Torres. Produzido por graduandos da Licenciatura em Educação do Campo – UFVJM, articula as vozes de lideranças estudantis que ocuparam a reitoria da UFVJM e o colégio Polivalente em 2016, com relatos da rotina e da organização das ocupações.

 

 

 

 

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   Ocupações nos espaços da UFVJM e do Colégio Prof. Ayna Torres

Eliana Sousa, Renata Mendes, Sarah Santos, Tatiane Sousa e Thainá Fernandes.

Alunos acampados no prédio da Reitoria da UFVJM. Foto obtida pela página do Facebook “Ocupa UFVJM”

No dia 13 de outubro de 2016, o Movimento Estudantil da UFVJM ocupou o prédio da Reitoria da Universidade Federal do Vale do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Foi um ato de protesto contra a PEC 55/2016 (de congelamento de gastos públicos por 20 anos), a MP 247/2016 (reforma do ensino médio) e o aumento da tarifa de passagem dos ônibus municipais de Diamantina. Paralelamente, secundaristas ocuparam na cidade o Colégio Ayna Torres, conhecido como Polivalente.

Em entrevista com alguns participantes das ocupações, pudemos entender um pouco mais a fundo como se deu esse movimento de luta pela manutenção de direitos conquistados ao decorrer de muitos anos. Dentre quase 80 estudantes ocupantes e professores do movimento, entrevistamos alguns que nos cederam fotos e informações relevantes de como foi cada ocupação. Os entrevistados fizeram revelações diversas, alguns inclusive que temeram a polícia, mas que em nenhum momento houve embates ou ameaças da parte dos policiais.

A ocupação na reitoria da UFVJM

O quadro de ‘Estrutura e Funcionamento’ da ocupação ao fundo. Foto cedida por participante da ocupação.

Por meio dos dados obtidos, procuramos compreender melhor e relatar aspectos do funcionamento da ocupação da reitoria. No diálogo realizado, os ocupantes explicaram um pouco sobre a organização das atividades: “em um quadro de tarefas, eram divididos os eventos culturais, tarefas diárias e trabalhos de melhorias. Sem contar que tinham os grupos de comunicação, grupos de coleta de alimentos”. A esse respeito, um estudante afirmou que: “a organização das divisões de tarefas foi dada por um quadro onde as pessoas escolhiam o que queriam fazer. Desde a alvorada (horário de acordar) até o jantar, todas as divisões de trabalho se davam por lá, por este quadro”. Ao fim da entrevista, um ocupante contou que foi imensamente gratificante esses quarenta e poucos dias em que eles ocuparam a UFVJM. Para ele, “a convivência foi o máximo, várias ideias diferentes surgiam e eu me senti em constante aprendizagem. E, é claro, lutamos contra a PEC 55 e a MP 247.’’

Ocupantes realizando tarefas na cozinha da ocupação na UFVJM. Foto cedida por participante da ocupação

Outro aspecto que chamou a atenção foi o contraste de informações a respeito da relação estabelecida entre estudantes e instituição no período de ocupação. De um lado, a reitoria da UFVJM lançou uma nota na qual deixou claro o apoio e o respeito à manifestação estudantil: ‘‘A Reitoria da UFVJM respeita, compreende e apoia a organização estudantil como um processo educativo, primando no exercício da cidadania e da democracia (…)’’. Já na fala de um dos participantes da ocupação, outra visão foi apresentada. Segundo o estudante, “cortaram nossa luz, tiraram nossa água e não mostraram em momento algum estarem do nosso lado (…)’’.

A ocupação no Polivalente

Placa da escola e alimentos doados para a ocupação. Fotos cedidas por integrantes da ocupação.

Um clima de maior hostilidade aconteceu no Colégio Ayna Torres, o Polivalente, onde estudantes do Ensino Médio e alguns professores ocuparam e fecharam a escola também contra a PEC 241/2016, a MP 746/2016 e por melhorias na escola. Após o início da ocupação e do fechamento, só conseguiram alimentos com colaboradores dezessete horas depois. Em resposta às dificuldades, os secundaristas traçaram logo uma estratégia de comunicação:

no segundo dia da ocupação, fomos até o portão com um megafone e explicamos o motivo da ocupação. Conseguimos com esse ato bastante colaboradores que ficavam à tarde para nos ajudar, porém, à noite, só ficavam de 10 a 20 pessoas [na escola].’

Alimentos doados para a ocupação. Foto cedida por integrante da ocupação.

Depois de alguns dias de fechamento, versões externas à ocupação começaram a circular, alegando que os jovens estavam usando drogas, fazendo bagunça e atrasando o calendário escolar. Essas versões foram negadas pelos secundaristas. Ainda assim, a partir da reclamação e da pressão de alguns pais, os estudantes decidiram abrir a escola na semana seguinte. Continuaram, no entanto, no auditório da escola até totalizarem trinta dias de ocupação. Segundo os estudantes, foram diversas as situações que levaram ao fim da ocupação, como, por exemplo, o afastamento de colaboradores e a escassez de alimentos. Ao fim da entrevista, uma estudante conclui: “no entanto, com todas as dificuldades, nós sobrevivemos e estamos prontos para outra luta”.

Referência:

REITORIA da UFVJM. Nota sobre ocupação UFVJM Disponível em http://www.ufvjm.edu.br/en/news/selection-processes/6424-2016-10-14-16-27-44.html. Acessado em 01/02/2016.